Raridades recém-descobertas de Bob Dylan jogam nova luz sobre o polêmico álbum Self Portrait

Andy Greene | Tradução: Ligia Fonseca Publicado em 07/08/2013, às 12h57 - Atualizado em 27/09/2013, às 12h58

Bob Dylan
AP

O crítico Greil Marcus falou por inúmeros fãs de Bob Dylan quando começou a resenha de Self Portrait (1970) na Rolling Stone com uma pergunta: “Que merda é esta?” O LP duplo era uma mistureba bizarra de covers pop, sucessos pré-rock e faixas ao vivo mal gravadas da Ilha de Wight, em 1969. Praticamente todas as músicas tinham produção exagerada, com corais, cordas e metais. O álbum continua sendo uma das obras menos amadas de Dylan. Por isso, causou surpresa quando foi anunciado que o mais recente volume da Bootleg Series seria uma caixa chamada Another Self Portrait, usando material inédito das sessões acústicas de gravação. “Estávamos re- visando todas as fitas na Sony”, diz uma ponte próxima à equipe de Dylan sobre a descoberta do material. “Pensamos que, com o encolhimento das gravadoras, algumas coisas podem se perder. Estávamos tentando exumar tudo.”

A nova caixa – complementada com faixas de Nashville Skyline (1969) e New Morning (1970) – oferece um raro olhar sobre o processo criativo de Dylan. Duas das músicas, “Time Passes Slowly” e “Working on a Guru”, vêm da sessão dele com George Harrison, em maio de 1970, em Nova York. “A maioria das músicas daquele dia é ruim”, diz a fonte. “A história que ouvimos do engenheiro é que eles estavam só brincando enquanto esperavam pelo Elvis, mas o rei não apareceu. Estavam só testando as águas, mas essas duas são muito boas.” Another Self Portrait chega às lojas no fim deste mês, e também estará disponível como um pacote deluxe, com uma versão remasterizada – e muito melhor – do show completo de Dylan na Ilha de Wight em 1969.