Depois de livro e musical, vida conturbada de Tim Maia chegará aos cinemas

Stella Rodrigues Publicado em 06/09/2013, às 11h47 - Atualizado em 14/01/2014, às 17h09

De volta no tempo
O ator Babu Santana (ao centro) como o Tim Maia da fase já artística
Paprica Fotografia/Divulgação

Em 2014, o repertório nacional de cinebiografias será engordado por um título importante. Com base no best-seller Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta (que já havia sido adaptado para um musical de sucesso), o diretor Mauro Lima (Meu Nome Não É Johnny) leva às telonas Tim Maia, filme que retrata a vida do cantor desde a adolescência, incluindo a passagem dele pelos Estados Unidos, até o auge da carreira. Robson Nunes – o mesmo do especial da TV Globo Por Toda a Minha Vida – é o ator responsável pela primeira fase de Tim, que depois é retratado por Babu Santana, já na época do penteado black power, seguindo até a morte do protagonista, em 1998.

Tim Maia foi eleito dono da maior voz da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. Veja os 100 colocados.

O filme foi rodado majoritariamente no Rio de Janeiro, mas também há cenas gravadas em Nova York e São Paulo. “Vamos mostrar um Tim que as pessoas pouco conheceram”, garante Santana, que lembra de ter conhecido a música do artista ainda na infância. “O filfias musicais será engordado por um título impor-me mostra partes da vida dele no anonimato. Até quando ele fica famoso, é uma coisa mais de bastidores, ele em casa, o ser humano”, explica. “Minha própria história de vida tem semelhanças – cara pobre, fora do padrão de beleza, querendo seguir o lado artístico.”

Conhecido por ser tão carismático quanto difícil, Tim Maia é um personagem com humores e características complicadas de serem captadas. Acrescente a isso o desafio de tornar crível a transição entre os períodos representados por cada ator nas duas fases da vida do astro. “Isso é um pepino duplo”, diz Lima, que também assina o roteiro, ao lado de Antonia Pellegrino. “Quando eu olhava o desenvolvimento do Tim, não dava para achar nenhum ator que passasse por aquilo tudo. E entendi que ele não era um cara só. Olhando fotos do Tim ao longo da vida, tem um cara sorridente e fofinho, outro com cara de bandidão e, por fim, nas décadas de 80, 90, parece ser uma terceira pessoa.” Essa recriação do homem por trás do mito contou com o acompanhamento próximo de Carmelo Maia, filho de Tim, que ofereceu histórias do pai e consultoria ao elenco.

Alinne Moraes vive Janaína, uma grande paixão da vida do astro, enquanto Cauã Reymond interpreta o músico Fábio, amigo que serve de narrador da história. Nos dois casos, os personagens são liberdades artísticas que juntam características de várias das mulheres e dos amigos que passaram pela vida do biografado. “O Tim nunca teve um amigo que de fato o tivesse acompanhado ao longo de toda a vida”, explica Reymond, que pouco conhecia a biografia e obra do músico até entrar para o projeto. “Eu tinha o mesmo contato que as pessoas que gostam de uma boa música para dançar têm. Só depois que surgiu o convite para o filme é que fui pesquisar a fundo, tentar entender mais o personagem para além do artista.”

A direção musical ficou por conta de Berna Ceppas, a quem coube o trabalho de colocar notas e ritmo em um filme sobre uma das mais importantes figuras da história artística brasileira. “É a maior ‘responsa’, acordo no meio da noite pensando nisso”, diz o músico, rindo. A ideia é equilibrar as músicas de Tim Maia – algumas cantadas pelo próprio, outras nas vozes dos atores – com as que Ceppas criou para o filme. As composições originais servem para dar o contexto sonoro das épocas que o personagem central vai atravessando. “O Mauro [Lima] também toca, então já temos uma coisa empática de arranjar essas soluções e ter muita parcimônia. Tem de transitar com muito respeito e atenção. É Tim Maia, as músicas que estão lá são músicas que as pessoas querem ouvir.”