Em Novos Territórios

Bruno Gagliasso fala sobre os desafios da profissão e a paixão por música

Stella Rodrigues Publicado em 31/10/2013, às 12h50 - Atualizado às 13h11

ESPIRITUAL
Gagliasso se diz um questionador religioso.
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Divulgação

Dizem que dividir a cena com cães e crianças é uma das coisas mais difíceis para um ator. Bruno Gagliasso enfrenta os dois desafios ao mesmo tempo, um no longa Mato sem Cachorro e o outro na novela Joia Rara, em que é pai da personagem da pequena Mel Maia. “É ótimo, te deixa sempre vivo em cena”, ele diz. No filme, Gagliasso é Deco, músico solitário especialista em mashups que, ao atropelar um cão, conhece Zoé (Leandra Leal), garota muito diferente dele, mas que ao mesmo tempo tem “a mesma batida”.

Galeria - 10 inesquecíveis cães do cinema.

Qual era a sua referência de mashups antes do filme?

Não conhecia e achei incrível. É muito bom, porque ensina o que é mashup, é algo tão novo e tão vivo! Mexe muito com a criatividade, quem gosta de música vai amar. É muito louca essa ideia de misturar Queen e música brega – [Sidney] Magal, Paralamas, John Lennon, Wando, Waldick Soriano. É uma feijoada dos populares com rock.

Entrevista: Mato Sem Cachorro conseguiu autorização inédita para usar imagem de John Lennon e a música “Imagine”.

Logo no começo, tem uma mistura de “Imagine”, que ninguém esperava, e a Yoko Ono liberou para o filme, com “Ai Se Eu Te Pego”, do Michel Teló. O que os beatlemaníacos puristas vão achar?

A Yoko ficou fascinada com trechos do filme que viu, pirou, aí liberou. É a primeira vez que um filme brasileiro tem a música do John Lennon. As pessoas não vão ter preconceito, porque ela deu a música para a gente poder fazer, tem o aval dela. Essas combinações improváveis acabam dando o toque interessante.

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Você tem se inteirado sobre o budismo por causa da novela. Como tem sido?

Eu sou um cara questionador, acho que todos deveriam ser. Quando a gente questiona é porque quer aprender e crescer. Não tenho religião, mas tenho identificação com a espiritualidade e a novela está me fazendo querer conhecer mais. Depois dessa minha viagem para o Nepal, virei outra pessoa, tenho outros olhos para ver as pessoas.

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Em 2014, você estrela e produz um thriller, Isolados – fugindo da onda das comédias. Agora que entrou para o cinema, pretende se envolver nisso com tudo?

Estou feliz com esses dois trabalhos completamente diferentes. Eu não consigo não me envolver completamente e sempre fui fã de cinema, mas sempre quis começar com filmes de que realmente gostasse e acreditasse. Sempre tive, graças a Deus, bons personagens na TV e não queria fazer cinema por fazer, não tive pressa pra começar. O tesão de ter uma produtora é poder escolher o diretor, atores, trabalhar com quem ama.