Do Coletivo ao Individual

Sozinho, Mano Brown quer fazer música diferente, sem ser limitado pelo rap

A. C. Publicado em 07/11/2013, às 18h57 - Atualizado às 18h59

Mano Brown
Rui Mendes

O disco solo de Mano Brown está em produção há dois anos na Blue House e deve sair em 2014. O trabalho será uma obra na qual estará estampada “a visão da vida por parte de um mano que vive no limite e sempre está em busca do amor”, diz o rapper, após tocar as inéditas “Mal de Amor”, “Foi num Baile Black” (com participação de Hyldon e Phil Batista) e “Eu Te Proponho”. Também estão prontas “De Frente para o Mar”, “Manhã de Carnaval”, “Amor Distante”, “Você e Eu Só” e “Cigana”. Provisoriamente batizado de Boogie Naipe, o álbum é influenciado pelo curto período em que a disco funk dominou a cena musical, entre o fim dos anos 70 e o começo dos 80, antes de o rap ganhar força nos Estados Unidos. “Disco e rap têm a mesma origem no funk, mas a disco veio antes, e é o que tem me inspirado”, diz. Para o solo, Brown compôs uma faixa com o produtor norte-americano Leon Ware, parceiro de Marvin Gaye. “Entramos em contato pela internet, o Leon me mandou uma base e coloquei voz. Quando devolvi o som, ele disse que gostou e que eu conquistaria várias gatas com aquela música, mas falei que só quero uma mulher”, diz. Ao ser questionado sobre possíveis críticas dos fãs (que exigem que ele toque faixas do Racionais nos shows solo), dispara: “O negro já tem tantas limitações no Brasil, tantas regras, e o rap ainda te põe mais cerca. ‘Não pode isso, não pode aquilo.’ O rap nasceu da liberdade e expansão das ideias”.