Michael J. Fox preparou uma das voltas mais notáveis de todos os tempos no show business – mas nunca sinta pena dele

Brian Hiatt Publicado em 07/11/2013, às 19h08 - Atualizado em 14/03/2014, às 14h47

DE VOLTA
Fox em Nova York, em agosto

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Ele é baixinho, ainda menor do que parece na tela, e as pernas dele atualmente têm um problema de comunicação com o cérebro. Mas, aos 52 anos, Michael J. Fox ainda consegue andar bem mais rápido do que muita gente. Em uma ensolarada sexta-feira no Upper East Side, em Manhattan, um simpático e bronzeado Fox entra no modesto escritório que mantém no prédio onde mora. “Olá! Tudo bom?”, diz, com aquela voz levemente aguda, malucamente familiar. Ele acabou de acordar e está vestindo uma camiseta azul, jeans escuros que pais geralmente não usam e tênis Vans cinza sem cadarço.

Fox vai para outro cômodo e se joga em um sofá de couro marrom, perto de uma guitarra Stratocaster e um amplificador Twin Reverb Fender, ainda com as etiquetas coladas. Fotos emolduradas dele tocando com Bruce Springsteen e com o The Who (“O segredo é saber quando abaixar o volume do seu amplificador”, diz) estão nas estantes de madeira branca, repletas de várias estatuetas de prêmios – até um Grammy, pela versão em áudio de um dos livros dele. Na última década, Fox escreveu (ou pelo menos ditou) duas autobiografias best-seller neste mesmo cômodo, andando sobre o carpete até desgastar, enquanto narrava a carreira, a vida em família e a sabedoria substancial que adquiriu ao longo de 22 anos de luta contra o mal de Parkinson (a esposa dele, a atriz Tracy Pollan – que fez a namorada na série Caras e Caretas – gosta de relembrar o momento em que Fox grunhiu: “Nunca vou terminar meu livro sobre otimismo!”).

Há 13 anos, Fox deixou o papel principal no seriado Spin City, último trabalho dele em período integral, em grande parte porque sentia que os sintomas estavam começando a interferir no desempenho. Ele havia anunciado o diagnóstico de Parkinson apenas dois anos antes, e uma boa parte da população dos Estados Unidos – 32,7 milhões de pessoas – assistiu a um episódio de despedida elegantemente executado e muito especial. Também parecia ser o funeral da carreira de um ator muito amado. Nos últimos momentos do episódio, um Fox de olhos marejados saiu do personagem para se despedir do público e das câmeras no estúdio, com uma finalidade palpável. Mudou o foco para a criação dos três (logo quatro) filhos e para a direção da Michael J. Fox Foundation, que já arrecadou US$ 350 milhões para acelerar o ritmo das pesquisas para uma cura para o Parkinson.

Só que agora Fox está fazendo algo totalmente inesperado para alguém diagnosticado com uma doença cerebral incurável e progressiva: voltando ao trabalho. Em 1991, o médico avisou que ele teria no máximo mais dez anos de carreira. Desde 2004, o ator está gradualmente retornando à TV – aparecendo em Boston Legal, Rescue Me, The Good Wife e Segura a Onda (“Eu achava que era o homem mais doente do quarteirão, mas você ganhou”, ele disse a Larry David). Fox está nas primeiras semanas da filmagem de 22 episódios para O Show de Michael J. Fox, a terceira série da carreira dele (que no Brasil é exibida no canal Comedy Central). Na noite passada, trabalhou até depois da 1h da manhã – uma jornada de 14 horas. “Não digo a mim mesmo que não posso fazer isso”, afirma. “Simplesmente faço. Um programa é mais fácil de regular do que a vida. Não há surpresas, mesmo. Você sabe o que tem de fazer em determinado dia, e descansa e se medica de acordo com isso. Estou chocado por estar sendo muito mais fácil do que achei que seria.”

A série é um programa familiar, com Fox fazendo o papel de um amado âncora de telejornal que tem Parkinson e está saindo da aposentadoria e voltando ao ar. “As pessoas disseram: ‘Tem certeza de que consegue aguentar?’”, ele lembra. “‘Tem certeza de que consegue fazer isso? Tem certeza de que pode lidar com isso?’ Respondi: ‘Não, não sei se posso, mas quero e tenho a oportunidade de fazer’. Outro lado desse negócio, com o qual não lido todo dia mas está presente, é que em algum nível isso pode ser encorajador para as pessoas. Todos temos nossa bagagem, todos temos nossos problemas. É como a parábola sobre o círculo de pessoas em que todos pegam seus piores problemas e os colocam no meio da roda, e todos escolhem um para pegar de volta – e acabam escolhendo os próprios problemas. É meio que assim. Você sempre enfrentaria seus próprios problemas, não os de outra pessoa.”

Além de uma habilidade incomum para citar essas alegorias de sábios – os amigos o chamam brincando de Gandhi –, Michael J. Fox é uma espécie de anomalia médica. Depois de cerca de uma década, a maioria dos portadores de Parkinson se torna menos reativa à dopamina sintética que pode ajudar a regular os tremores característicos do mal, paradoxalmente aliados a uma sensação paralisante de rigidez. No entanto, ele ainda é altamente reativo aos medicamentos e também descobriu uma mistura particular de remédios que o faz se sentir muito melhor do que há dez anos. Também está com a aparência boa, mesmo com a perda inevitável de parte do frescor juvenil – os traços estão mais definidos e, de alguns ângulos, ele lembra o ator que o substituiu em Spin City, Charlie Sheen – Fox culpa “um maxilar quadrado e um olhar de quem já viajou muito”.

Mesmo assim, no momento, aqui no escritório dele, Fox não está tão bem. O rosto virou uma máscara apática; a fala está arrastada. Ele está com a perna direita sobre uma mesa de centro, onde está mais vibrando do que tremendo, como se estivesse batendo o pé ao som de uma música do Ramones tocada no dobro da velocidade. Embora seja difícil dizer para quem é de fora, ele também está tendo uma “falha de ignição cognitiva”, uma versão extrema da zonzeira pré-café da manhã. Quando admiro o amplificador ao lado do sofá, ele não consegue dizer a marca.

Sem falar nada, Fox se levanta do sofá e vai para um cômodo lateral, voltando um segundo depois com uma pílula enorme na boca, que engole com a ajuda de uma golada de água. Está em um dia de folga e achou que conseguiria deixar para tomar a medicação na partida de golfe que jogará mais tarde. Uma dosagem alta demais tem armadilhas, então foi uma troca que valia a pena tentar. “Eu estava bem tranquilo e calmo”, diz, “e pensei: ‘Será que consigo ter uma conversa assim? Tipo ‘A Rolling Stone ou o campo de golfe? Para qual vou me aprumar?’. Então pensei em tentar fazer a entrevista sem tomar nada.”

Fox não acha os sintomas incômodos, mas está ciente de que outras pessoas, sim. “Tem gente que olha para mim”, diz, “e tem medo e tristeza nos olhos, que acham que estão sendo refletidos de volta. As pessoas não veem que o que realmente estou sentindo é ‘Estou bem!’, mas elas têm medo. Então, tive de entender que, antes de as pessoas lidarem comigo, lidarão com o que acham que estou sofrendo. Daí o tempo passa e elas percebem que esta é simplesmente a minha vida, uma coisa com a qual tenho de lidar.”

Para Michael J. Fox, a década de 80 foi incrivelmente boa. “Passei de garotas me ignorando quando eu perguntava a hora a ler as horas no rádio-relógio ao lado da cama delas”, ele lembra. “Foi bem legal.” Havia inúmeros motivos para comemorar, o que, para ele, significava ficar tremendamente bêbado, repetidamente. Por muito tempo isso não foi um problema. “De repente, eu entrava em todas essas boates e na sala VIP, o que era uma coisa ridícula”, conta, “porque se você está na sala VIP, não está na boate! Está em uma salinha no andar de cima. É tipo ‘Uau, estou na sala VIP. Ali está Dustin Hoffman. Não vou voltar para casa com ele’.”

Quando Fox tinha 17 anos, o pai conservador, um sargento da reserva do Exército canadense, inesperadamente lhe permitiu abandonar a escola para se dedicar à carreira de ator, e inclusive dirigiu 1.900 km com o filho, do subúrbio de Vancouver para Los Angeles. Depois de três anos de papéis pequenos e intermitentes, o superestrelato ainda não havia chegado e Fox começou a guardar contas não pagas de credores e da Receita Federal em um armário cada vez mais cheio. Quando fez o último teste para o papel de Alex P. Keaton em uma série chamada Caras e Caretas, ele estava vendendo móveis para comprar comida e os pais imploravam para que o filho voltasse ao Canadá e arranjasse um emprego de verdade.

Em vez disso, ele conseguiu o papel e praticamente tudo o que queria. Passou o outono de 1984 com camadas de látex e pelo de iaque colados no rosto, filmando uma comédia independente modesta chamada O Garoto do Futuro, durante um hiato de Caras e Caretas. Na locação, um dia, em um bairro arborizado de Pasadena, na Califórnia, um Fox totalmente caracterizado de lobisomem adolescente estava bebendo milk-shake com um canudo no almoço (“Não podia comer, porque isso quebraria a maquiagem do lado da minha boca”, lembra) quando recrutadores para outro filme apareceram. Estavam trabalhando em De Volta para o Futuro, um filme produzido por Steven Spielberg, com Eric Stoltz no papel principal como Marty McFly e Crispin Glover como o pai dele. “Conhecia Crispin e pensei: ‘Merda, o Crispin consegue fazer o filme do Spielberg’”, Fox conta, “‘e estou aqui em Pasadena com maquiagem, tomando um shake horrível de canudinho’.” Naquele inverno, Stoltz foi demitido de De Volta para o Futuro e Fox foi chamado para fazer Marty McFly com poucos dias de aviso prévio – e descobriu que estava no topo da lista de opções dos cineastas o tempo inteiro. Por meses, ele filmava Caras e Caretas durante o dia e De Volta para o Futuro à noite. Estava convencido de que tinha sido um desastre como Marty McFly, e mal podia se lembrar de todo o processo. No verão seguinte, viu-se como o astro do maior filme do ano – e O Garoto do Futuro, lançado na cola, virou um sucesso inesperado.

Ao mesmo tempo que a boa sorte continuava, Fox desenvolveu um terror nunca explicado e crescente de um revés, de as contas vencerem, de tudo acabar. Ele havia crescido na classe trabalhadora e a nova vida às vezes não lhe parecia real. No entanto, tinha aprendido desde cedo que o álcool poderia lhe ajudar a ignorar as inseguranças. Começou a beber durante a adolescência no Canadá, basicamente para superar o desconforto em ser baixinho. Quando novo, era atlético, charmoso e bonito – mas pequeno: “Era um homúnculo”, diz rindo, observando que praticava luta livre pesando 44 kg. No entanto, drogas nunca foram um problema, naquela época nem mais tarde. “Fumei um pouco de maconha no ensino médio”, conta, “mas não podia fumar um baseado e beber, porque batia o que chamo de ‘aviso de seis segundos’, quando você tem seis segundos para descobrir onde quer dormir. Só que, sendo canadense, nunca conheci uma cerveja da qual não gostei.” No final dos anos 80, tentou papéis mais sérios (um roqueiro trabalhador em Luz da Fama, um escritor viciado em Nova York – Uma Cidade em Delírio, um soldado com consciência pesada em Pecados da Guerra), filmou duas sequências de De Volta para o Futuro, uma atrás da outra, apaixonou-se, casou-se aos 27 anos e teve um filho menos de um ano depois.

Na manhã de uma terça-feira de novembro de 1990, poucos meses depois do lançamento de De Volta para o Futuro Parte III, Fox acordou na suíte presidencial de um hotel em Gainesville, Flórida e, em meio à névoa de uma ressaca adquirida depois de uma longa noite com Woody Harrelson, notou algo muito estranho: o dedinho da mão esquerda se contraía e não parava. Imediatamente, procurou uma equipe de neurologistas na Flórida, que lhe garantiram estar tudo bem. Quase um ano se passou, e outros sintomas apareceram, até que Fox soube da verdade – incluindo o limite de dez anos para a carreira dele.

Casado com Tracy e com um novo bebê, Sam, Fox havia deixado o estilo de vida de príncipe de Hollywood para trás. No entanto, depois do diagnóstico, o ator começou a beber sozinho pela primeira vez, mentir sobre isso, tornar-se alcoólatra. “Fiquei perdido, não sabia como lidar com aquilo”, afirma. “A ideia de ‘Fiz essa mulher entrar em uma fria, ter um filho logo e cair nesta situação?’... Era muito mais fácil ficar bêbado e não lidar com a realidade daquilo.” Em pouco tempo, Tracy deu um ultimato implícito – “Ele estava bebendo demais para o meu gosto”, ela diz – e ele chegou ao fundo do poço e entrou em recuperação. “Foi como sair de uma hipnose e dizer: ‘Caramba. Este não é o trailer, é o filme, e já estou na primeira grande reviravolta’ – que seria perder tudo”, afirma Fox. “Tinha um casamento ótimo e um filho lindo, não queria estragar isso.” Ele está sóbrio há 21 anos: “Minha sobriedade já tem idade suficiente para beber”.

A imprevisibilidade dos sintomas e a perda concomitante do controle sobre os movimentos forçaram Fox a mudar a abordagem à atuação, mas ele está convencido de que isso o ajuda a estar mais presente nas cenas. “Eu ficava muito nervoso, sentava no camarim e ficava remoendo sobre uma cena que estava para acontecer, suando e dizendo: ‘O que vou fazer?’ Você fala “Ação” e tenho de fazer algo. O que vou fazer? O que aquele ator vai fazer? Como vou reagir?’ E agora é ‘Ok, o que está acontecendo?’ Se algo acontecer, eu reajo, se nada acontecer, não reajo. Não me preocupo com o que iria fazer ou a olhada que iria dar, porque, quando chego lá, posso não conseguir dar aquela olhada ou fazer aquilo ou mexer no copo.”

Exceto pela aflição incurável, Fox está em ótima forma – graças ao pilates, uma dieta cuidadosa, caminhadas frequentes com o cão Gus e um hábito de jogar golfe adquirido nos últimos seis ou sete anos, depois que Alice Cooper o convenceu de que era legal (sexo, diz, não é um problema, mas “nunca se sabe quem será o agente do movimento”). “Depois da bomba do diagnóstico”, conta, “percebi que tinha de cuidar da saúde. Sei que peguei um tigre pelo rabo e, se não prestar atenção, ele vai me comer. Então, tenho de ser vigilante – vi pessoas piorarem desta doença simplesmente por desistirem. Embora não tenha nenhuma experiência com isso, consigo visualizar o que aconteceria se eu me permitisse me encolher, porque quando os sintomas começam, se quiser torná-los menos dominantes, meio que me encolho e isso é o que seria desistir. Por mais que o Parkinson diga respeito ao movimento, o estágio final é ficar congelado, então quanto mais deixo aquilo acontecer, mais ficarei preso e incapaz de reverter isso”.

Foi mais difícil deixar alguns maus hábitos do que outros. Em De Volta para o Futuro, o departamento de acessórios construiu um cinzeiro para que ele pudesse acender um cigarro assim que cada tomada acabasse; em Caras e Caretas, a entrada da cozinha da família era poluída com centenas de bitucas. O Parkinson o forçou a parar por um tempo nos anos 90, mas inicialmente não era por motivos de saúde: “Algumas vezes em casa”, lembra o ator Denis Leary, também fumante, “os cigarros voavam das mãos dele quando os braços ficavam descontrolados”. Depois que Fox conseguiu controlar melhor os sintomas, Leary se lembra dele em uma festa em 2001: “Mike chega”, conta, “joga um maço de Marlboro na mesa e diz: ‘Estou de volta! Posso fumar novamente’”. Fox acabou parando de vez, mas ainda masca chicletes de nicotina. Qualquer desejo pelo álcool, por outro lado, ficou no passado.

Ao longo de 30 anos de fama, Fox conseguiu evitar qualquer coisa parecida com um ataque de birra em público, mas ele tem temperamento forte e fica impaciente. Quando, em 2006, o radialista Rush Limbaugh fez a alegação descabida de que Fox estava exagerando os sintomas durante a campanha para candidatos que defendiam a pesquisa com células-tronco, a resposta foi diplomática em público, mas não tanto com os amigos. “O outro lado do personagem público às vezes fica evidente”, conta Leary. “Em particular, ele teve um humor brutalmente negro com relação a Limbaugh, mas não queria que o público soubesse. Só que essa parte dele está ali, e também a frustração da doença, não importa o quanto ele lide bem com ela. Mike sempre teve um lado negro, é uma das coisas que o tornam engraçado. Esses demônios e fantasmas são parte do que ele superou para ficar sóbrio e se transformar em um santo ainda maior do que era.”

Quando Fox abriu a fundação dele em 2000, dizia repetidamente que uma cura para o Parkinson poderia ser descoberta em uma década: “Não era otimismo”, afirma a cofundadora Debi Brooks. “Os cientistas diziam que era possível.” Só que os tratamentos que se mostraram mais promissores na época ainda não foram utilizados, e a fundação de Fox vem pressionando para acelerar rotas de pesquisa. A evolução do Parkinson pode ser diferente de um paciente para outro e, com Fox melhor do que qualquer um esperaria, os médicos pararam de fazer previsões. Ele jura que não se preocupa com o futuro. “Essas frases e ditados que digo são pérolas de sabedoria arduamente conquistadas”, afirma, “e uma delas é que, se você imagina o pior cenário e ele acontece, vive isso duas vezes. Coisas ruins acontecem, independentemente de serem previstas ou esperadas, então não faz sentido tentar antecipar”.

Ele está passando por um ataque intenso neste momento. “Não fica pior do que isto”, ele conta, repuxando o maxilar com desconforto. O corpo dele está simultaneamente tenso e tremendo, como se estivesse sentindo um terremoto localizado. O braço esquerdo é um borrão de movimento constante. Ele se levanta, toma outra pílula e anda para frente e para trás, o que ajuda um pouco. “Percebi que, se estou me mexendo, a sensação melhora.” Ele está levemente curvado, ainda andando. “Este também é um momento valioso”, afirma. “Não o ignoro. É como alguém me contou outro dia sobre um homem que tinha Parkinson e não saía de casa. Ele dizia: ‘Não quero que ninguém me veja assim’. Reagi: ‘Assim como? Assim como você é?’ Porque não é tão ruim, é só um estado alterado, mas não sei mais o que é normal. Quer dizer, meu estado natural é este. Com o uso da medicação, a parte calma é a parte forçada.”

Ele tomou mais remédios, mas os movimentos do braço se intensificam. Os olhos azuis ficam firmes e intensos e, por um momento, dá para ver a parte dele que Leary conhece. Não é um lado negro – é mais o combustível secreto em seu cerne. “O resumo de toda esta merda é que é melhor”, alega Fox. “Minha vida está melhor do que era, porque tenho acesso a verdades e a momentos onde me dou uma pausa e digo: ‘Foda-se’.”

“O que eu disse em meu primeiro livro continua verdadeiro: se entrasse em uma sala com Deus, Buda, Bill Gates, Sergey Brin ou qualquer pessoa que pudesse encontrar uma maneira de consertar isso para mim, acho que não o faria, porque não teria passado pelo que passei e não teria a experiência que tive, e ainda consigo trabalhar.” Os olhos ainda estão brilhando daquele jeito estranho e ele os fixa em mim. “E no fim das contas”, Fox diz, “ainda consigo fazer uma série. Então, o que eu perdi?”