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Boogarins, de Goiânia, aposta em sonoridade psicodélica e se prepara para turnê internacional

Pedro Antunes Publicado em 06/01/2014, às 13h15 - Atualizado às 13h16

BEM RECEBIDOS
O primeiro disco do Boogarins foi elogiado no exterior
Kastelijns/divulgação

No palco do festival vaca Amarela, em Goiânia, o público de 750 pessoas parece estar em um transe profundo. O quarteto local Boogarins faz ali apenas a 17ª apresentação da carreira, mas mostra precisão e experiência nos caminhos para uma viagem sinestésica movida a guitarras. Naquele mesmo dia, o site norte-americano Pitchfork publicou uma resenha elogiosa do primeiro disco do grupo, As Plantas Que Curam, recém-lançado nos Estados Unidos. “É difícil ouvir um disco em outra língua e gostar”, diz, surpreso, o vocalista e guitarrista Fernando “Dinho” Almeida.

Ao lado de Benke Ferraz (guitarra), Dinho começou o projeto do Boogarins em 2012. Aos poucos, Hans Castro (bateria) e Raphael Vaz (baixo) foram integrados ao grupo. Todos já se conheciam, ou eram amigos de amigos. Ferraz, por exemplo, tocou no Ultravespa, banda de Dinho, e no Luziluzia, grupo integrado por Vaz. “Esses outros trabalhos refletem de forma direta na nossa banda”, conta o guitarrista. “Tem uma coisa de anos 60 no Ultravespa e no Boogarins, mas é diferente. Não tem como dividir a sonoridade”, complementa Dinho.

Eles sabem que 2014 será um ano crucial para o quarteto: o Boogarins tem turnês agendadas pelos Estados Unidos (com passagens pelos festivais SXSW e Austin Psych Fest) e Europa. Os elogios recebidos de sites estrangeiros enchem os músicos de 20 e poucos anos de esperança de que as letras em português não sejam um empecilho. “A pessoa entende a música, mas do jeito dela. Elas têm um sentido para você, outro para a gente”, teoriza Dinho. Ainda que tenham recebido a alcunha de “Tame Impala brasileiro” e sido comparados a Os Mutantes, eles citam The Madcap Laughs, de Syd Barrett, e a obra de Júpiter Maçã como grandes inspirações. E tentam definir o som do grupo: “É rock feito em casa, música que não tem produção”, diz Dinho. “É música vomitada.”