Conheça o Haim, três irmãs californianas que tocam juntas desde crianças

Jonah Weiner | Tradução: Ligia Fonseca Publicado em 08/01/2014, às 11h24 - Atualizado às 11h26

AMOR FRATERNO
(A partir da esq.) Alana, Danielle e Este, as três irmãs Haim
Peggy Sirota;

No camarim das irmãs Haim, o clima está agitado como em uma biblioteca pública. Danielle (24 anos, guitarra e voz principal) está colocando pedaços de gengibre e limão em uma xícara com água quente, enquanto Este (27, baixo e às vezes voz principal) aspira vapor quente direto de um bong, para cuidar da dor de garganta. “É divertido passar isso pela alfândega”, diz. Por ser diabética, ela não pode beber e não fuma maconha – há açúcar demais em bebidas e ela tem medo de comer doces durante a larica –, então leva uma bomba de insulina consigo o tempo todo. Levantando a barra da saia, mostra um dispositivo perto do quadril, parecido com um pager. “Viu?”

Já Alana (21, teclado e às vezes voz principal) está admirando um retrato imenso da banda que um fã pintou a partir de uma foto de divulgação. Quase metade da tela está tomada pelos longos cabelos das irmãs; a mão direita de Este é anormalmente grande. Alana olha a imagem de perto e aponta para o queixo. “Acho que eu estava com uma espinha no dia dessa foto. Que legal que mantiveram isso.”

Há anos, o trio Haim tem sido presença constante no circuito indie californiano, dividindo o palco com roqueiros como Jenny Lewis e Dawes; abrindo para Florence and the Machine e Mumford & Sons; e colaborando com Major Lazer e Kid Cudi. O primeiro instrumento que aprenderam foi a bateria – o pai tinha uma montada na sala, colocava as filhas no colo e as ensinava a batucar. Logo, deu um instrumento diferente a cada uma, e nasceu o Rockinhaim, uma banda cover em família especializada em rock clássico e funk. Em 2007, já como Haim, as três meninas começaram a compor canções próprias. “Nossas primeiras músicas eram todas percussivas”, Danielle diz. “Gostamos de ritmo.” As dezenas de shows em estádios que fizeram em 2013 ajudam a explicar a grandiosidade sonora de Days Are Gone, disco lançado com alarde este ano, e a experiência também as ensinou a fazer performances maiores: acenando para quem está longe, fazendo coreografias. “Em lugares pequenos, você não precisa fazer muito”, diz Alana. “Em um palco grande, é preciso fazer mais.”

“Ainda não compramos nosso CD”, fala Danielle. “Quer vir à Amoeba conosco?” Na loja, elas buscam a seção “H”, encontram a divisória marcada “Haim” e posam para uma foto. Alana manda a imagem via Twitter para seus 50 mil seguidores. Só uma coisa poderia deixar o momento ainda melhor. “Que merda!”, ela grita, olhando a etiqueta do preço no CD. “Está com 1 dólar de desconto!”