Com ajuda dos fãs, Raimundos deixa o passado para trás e lança primeiro disco de inéditas em 11 anos

Pedro Antunes Publicado em 08/01/2014, às 11h29 - Atualizado em 17/03/2014, às 16h03

O Raimundos investe em nova fase
Patrick Grosner

O Raimundos conheceu os dois lados da indústria fonográfica. Turnês com equipes enormes, suporte de uma grande gravadora, músicas amansadas para tocar nas rádios – tudo isso acabou quando o vocalista Rodolfo Abrantes saiu da banda, em 2001. Foram seis anos de patinadas, até o baixista Canisso, que também havia deixado o grupo de Brasília, retornar, em 2007. O Raimundos entrou novamente nos eixos, manteve a formação – Digão (que nos primórdios tocou bateria no quarteto, assumiu de vez vocais e guitarra), Canisso (baixo), Marquim Mesquita (guitarra) e Caio Cunha (bateria) – e partiu para um recomeço. “Foi como uma bomba”, diz Digão sobre aquele ano de 2001. “Mas não era só pólvora que tinha nela, não. As gravadoras, naquele formato que a gente conhecia, também estavam acabando.”

Cantigas de Roda, primeiro disco de inéditas do Raimundos em 11 anos, previsto para janeiro, celebra este novo caminho. A banda não esqueceu o passado, diz Digão, mas tem motivos para comemorar o presente. Para financiar o álbum, por exemplo, eles pediram ajuda aos fãs e conseguiram R$ 123 mil (mais que o dobro dos R$ 55 mil necessários para viabilizar as gravações em Los Angeles, produzidas por Billy Graziadei, líder do Biohazard).

O disco, segundo os dois membros fundadores, é uma tradução da sonoridade característica do Raimundos desde os primeiros ensaios, na casa de Digão: hardcore, ska, reggae, forró, hip-hop (com a participação de Sen Dog, do Cypress Hill), guitarras velozes e letras sacanas. “Daqui a pouco seremos respeitáveis cinquentões vivendo para tocar hardcore como jovens de 18 anos”, diz Canisso, o mais velho da banda, de 48 anos.

Mais recentemente, a banda foi anunciada como um dos destaques nacionais da programação do Lollapalooza Brasil 2014. “O que colhemos hoje é fruto de um trabalho duro que fazemos desde 2007”, afirma o baixista, lembrando os tempos difíceis do retorno. “O Raimundos foi lutar no corpo a corpo”, ele finaliza. “E foi no palco, que é o único lugar onde a luta é justa.”