As melhores músicas nacionais de 2013

Por aqui, o pop, o hip-hop e a MPB foram marcantes. Fora do Brasil, as batidas dançantes predominaram enquanto os veteranos fizeram toda a diferença

Redação Publicado em 10/01/2014, às 01h36 - Atualizado às 02h49

1 FELIPE CORDEIRO

“Problema Seu”

Assim que o riff da guitarra conduzida por Manoel Cordeiro (pai de Felipe) serpenteia o ar como se fosse uma “Aquarela do Brasil” em versão envenenada e o delicioso suingue do arranjo convida o ouvinte ao arrasta-pé, Felipe Cordeiro dispara uma letra que surgiu dos desaforos que presenciou de um casal brigando na rua: “Você pra mim/ é problema seu”. A letra divertida gruda imediatamente, enquanto o lambadão provoca a cintura do freguês, embalado por trombone, trompete e um corinho feminino que remete aos melhores momentos de Genival Lacerda. “Problema Seu” é apenas a música de abertura de Se Apaixone pela Loucura do Seu Amor, e o cantor e compositor paraense prova em pouco mais de quatro minutos, com simplicidade e sacanagem, que é possível fazer música autenticamente brasileira de qualidade. Fuleiragem das boas em uma daquelas canções que já nascem clássicas.

2 BOOGARINS

“Lucifernandis”

O que tem a ver a figura bíblica de Lúcifer com uma garota “miss lisergia”? Para a psicodelia tropical do Boogarins, tudo. Riffs melódicos e cativantes embebidos de distorção conduzem a trajetória de uma moça desvairada que decidiu viajar para ver o mundo – e não se apaixonou por ninguém.

3 NEVILTON

“Porcelana”

O Trio de Umuarama (PR) sabe bem como trabalhar suas influências. Uma das produções mais complexamente fascinantes do ano, a moda de viola que o vocalista Nevilton compôs em homenagem ao avô explode em um rock poderoso de letra emocional e guitarras ágeis. Para ouvir e absorver.

4 ANITTA

“Show das Poderosas”

O Brasil sempre teve uma infinidade de cantoras de estilos variados, mas os hits pop de apelo radiofônico que mais repercutem por aqui são, quase sempre, em inglês. Anitta preencheu essa lacuna e entrou nas pistas – e na cabeça (basta ouvir uma vez para cantar o dia inteiro) – de todo o país em 2013.

5 TOM ZÉ

“Tribunal do Feicebuqui”

O veterano topou fazer a locução de um comercial de refrigerante que exaltava as qualidades do povo brasileiro a propósito da Copa. E não demoraram a surgir opiniões favoráveis e contrárias a tal iniciativa. Esta é a resposta bem-humorada e com uma ironia da qual só mesmo Tom Zé é capaz.

6 GUILHERME ARANTES

“Tudo Que Só Fiz por Você”

Em Condição Humana, Guilherme Arantes busca falar a todos, não apenas aos fãs nostálgicos. Só que essa canção é a verdadeira pérola retro do trabalho, uma balada sincera e apaixonada que soaria perfeitamente em alguma FM no distante 1979.

7 EMICIDA

“Crisântemo”

A faixa mais emocionante de O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui tem a participação da mãe do rapper, Dona Jacira, que conta sobre o dia em que Emicida perdeu o pai. É um samba-rap tocante, que relata um tipo de história cada vez mais comum nas periferias do Brasil.

8 CRIOLO

“Duas de Cinco”

Após a ascensão nacional em 2011, Criolo somente no ano passado lançou canções inéditas, que mais lembram o início da carreira dele. A ótima batida da melhor delas, “Duas das Cinco”, tem sample de “Califórnia Azul”, de Rodrigo Campos, e rimas que passeiam sobre o crime e as drogas.

9 RODRIGO AMARANTE

“Irene”

Paixões de um passado distante assombram o coração do ex-Los Hermanos – amores platônicos que foram deixados para trás, um a um, desde a infância até a vida adulta. Para materializá-los, Amarante escolheu um único nome. E foi “Irene”, como na canção de Caetano Veloso.

10 BOSS IN DRAMA E KAROL CONKA

“Toda Doida”

A irreverência do produtor Péricles Martins e o estilo espevitado da rapper se mesclam em forma de música. Acostumado a trabalhar com referências disco e eletrônicas, ele aproveitou a afinidade de Karol com o reggae para inserir na faixa uma inesperada virada ao estilo jamaicano.

11 MARCELO JENECI

“O Melhor da Vida”

As percepções se alteram quando uma paixão chega, arrebatadora e poderosa. Jeneci canta o sentimento do novo amor de coração cheio, exalando ternura pop. Ao longo de cinco minutos, a canção cresce até os experimentalismos do refrão, do êxtase do gozo ao abraço terno.

12 BRUNO SOUTO

“Avesso”

O eu-lírico da faixa é refém de um daqueles amores malditos, que sofrem tanto com as brigas eternas quanto com o silêncio arrasador. “Uma faca em cada fala”, canta Bruno Souto sem medo de soar piegas ou brega. O resultado disso é a canção mais visceral da estreia solo dele.

13 REPUBLICA

“Change My Way”

De um riff de guitarra nasce uma conversa acirrada entre cordas e bateria, revelando alguns dos timbres mais atuais do heavy rock contemporâneo. Com um título mais do que sintomático, “Change My Way” introduziu o disco Point of No Return ao público e define a nova fase do quinteto paulistano.

14 BIXIGA 70

“Deixa a Gira...”

A África é o ponto de partida do Bixiga 70, mas o som de “Deixa a Gira...” viaja pelo Atlântico e segue a rota dos laços de afinidade na América do Norte. Surgem sonoridades primas do dub, do jazz e do samba, além de flertes com Moacir Santos e com os afro-sambas.

15 APANHADOR SÓ

“Despirocar”

Nenhuma música de 2013 conseguiu melhor traduzir a paranoia dos grandes centros urbanos, repletos de pessoas cansadas e insatisfeitas com o rumo de sua vida, como esta de Antes Que Tu Conte Outra. O instrumental caótico apenas potencializa o clima irreversível de cataclisma social.

16 ED MOTTA

“Ondas Sonoras”

Em Aor, Ed Motta faz uma homenagem a heróis da sua educação musical, e “Ondas Sonoras” é um soft rock que não deixa a desejar em relação a sons de grupos como o Steely Dan. O guitarrista David T. Walker (que já tocou com Stevie Wonder, Marvin Gaye, Quincy Jones) concede o toque classudo.

17 O RAPPA

“Auto-Reverse”

Tudo que faz o que é conhecido como “som do Rappa” está reunido aqui: o baixo marcante, a veia ragga dos vocais de Marcelo Falcão e os versos que fogem do lugar-comum. Cada um dos elementos sonoros se faz ouvir nessa faixa produzida de maneira cristalina por Tom Saboia.

18 GAROTAS SUECAS

“A Nuvem”

Esse dueto com a voz meio rouca de Irina Bertolucci em primeiro plano é uma bela canção embalada por arranjos orquestrais elegantes e suntuosos. Não bastasse isso, a rapper Lurdez da Luz comparece, emprestando seu estilo lânguido e sempre pontual.

19 ARNALDO ANTUNES

“Dizem (Quem Me Dera)”

A música do cd disco traz uma letra irônica a respeito das coisas que a humanidade diz estar fazendo para melhorar o mundo. Acompanhado de banda e quarteto de cordas, Arnaldo desliza à vontade em uma levada próxima ao iê-iê-iê setentista.

20 VESPAS MANDARINAS

“Um Homem sem Qualidades”

Contrabalançando o repertório mais pop do quarteto, este punk-rock foi originalmente gravado pelo extinto trio Banzé!, mas soa ainda mais veloz e incansável com a dupla de guitarras de Thadeu Meneghini e Chuck Hipolitho.

21 PESSOAL DA NASA

“Amigos e Fantasmas”

O timbre ruidoso de Dado Oliveira é apenas uma das boas características da novata banda carioca que só tem um EP na bagagem. Nesta faixa, eles emprestam um verso de “Nu com a Minha Música”, de Caetano Veloso (“Vaca, manacá, nuvem, saudade, cana, café, capim”), para o refrão épico.

22 NEY MATOGROSSO

“Freguês da Meia- Noite”

O quase “jazz kitsch” de Criolo presente em Atento aos Sinais ganhou uma dimensão dramática. Foi testado durante os shows e Ney levou para o estúdio uma versão “abolerada”. A guitarra de Maurício Negão e o sopro com surdina de Aquiles Moraes fazem toda a diferença.

23 THE BAGGIOS

“Sem Condição”

Modernidade e tradição, melodia e ataque, guitarras e bateria, Jimi Hendrix e Raul Seixas, tudo ao mesmo tempo e em uma mesma banda. O maior mérito do duo The Baggios é fazer dessa mistura algo próprio, bastante original e, inegavelmente, rock.

24 DON L

“Morra Bem, Viva Rápido”

A música abre o primeiro disco solo do rapper cearense com muita autoridade. A base à la Ennio Morricone é perfeita para as excelentes rimas de Don L, que faz hip-hop para adultos e cria as rimas a partir de problemas da vida real.

25 GURI ASSIS BRASIL

“Todos Meus Amigos Vão Me Ouvir Cantar”

Ir ou não ir embora? ao se desvencilhar do papel de guitarrista da banda gaúcha Pública, Guri usa versos surpreendentemente agridoces para expor as angústias de exorcizar os fantasmas de amor deixados no passado.