Terror psicológico reúne Sandy e Antonio Fagundes em adaptação de livro de Lourenço Mutarelli

Stella Rodrigues Publicado em 09/01/2014, às 03h44 - Atualizado em 21/02/2014, às 18h52

TRIO SOBRENATURAL
Descartes, Sandy e Fagundes nos bastidores de Quando Eu Era Vivo
Divulgação

Foi inevitável não levantar uma sobrancelha curiosa ao ouvir o anúncio de que Sandy Leah, a cantora de letras fofas, voz doce e, até então, uma carreira cinematográfica infantojuvenil, seria uma das estrelas de Quando Eu Era Vivo. O filme é uma adaptação do livro A Arte de Produzir Efeito sem Causa, obra do sempre sombrio e perturbador escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli. Mas a própria Sandy garante que a entrada dela no elenco não deveria ser vista com estranheza, nem tampouco é uma jogada para “mudar a imagem” ao estilo garotas da Disney. “Pois é, ninguém entendeu nada, mas uma das coisas que me atraíram foi o fato de o filme ser meio lado B”, ela afirma. “Sempre amei terror, macabro, suspense.”

A produção conta a história de Júnior (Marat Descartes), um homem recém-separado e desempregado, que retorna para a casa do pai (Antonio Fagundes) e passa a encarar fantasmas (literais e figurados) de forma perturbadora. Lá, divide o teto com a estudante de música Bruna (Sandy), inquilina que acaba mergulhando na maluquice dele. A “Parábola do Filho Pródigo”, que fica implícita na premissa da história, acabou servindo de inspiração para o diretor Marco Dutra, que teve liberdade criativa e alterou conforme necessário o texto de Mutarelli. “A única coisa que os produtores pediram foi para que não trocasse o título e o final. Fiz as duas coisas”, ele ri, exaltando que o resultado satisfez a todos.

Um aspecto que torna a experiência de terror mais rica é que o enredo de Quando Eu Era Vivo pode ser encarado pelo viés psicológico – tornando-se um ensaio sobre a loucura, assustador até para quem é cético – ou pelo sobrenatural, que tem todos os elementos tradicionais. O declaradamente agnóstico Fagundes, analisando a trama, se encantou com o lado psicanalítico do roteiro. “Ele fica mais no thriller, apesar do misticismo – terror a gente imagina tripas, sangue. É mais delicado nesse sentido, mas não deixa de ser uma janela que o filme abre para esse gênero [terror]”, acredita o ator global, atualmente em cena na novela Amor à Vida. “Meu personagem representa o olhar do público: não acredita em nada, mas acaba sendo arrastado para aquilo.”

“Fui estudar Freud porque concluí que a trajetória do Júnior é tratar do luto, especialmente da mãe”, diz Descartes, que encarna o complexo protagonista, que passeia entre Jack Torrance (O Iluminado) e Norman Bates (Psicose) . “Freud desenvolve uma teoria de que quando a pessoa não consegue formar o luto, acaba se transformando no objeto do luto”, explica. “É exatamente o que acontece com o meu personagem.”