Nos bastidores com Avicii, o jovem DJ que domina as pistas ao redor do planeta

Gavin Edwards | Tradução: Ligia Fonseca Publicado em 11/02/2014, às 09h49 - Atualizado em 13/03/2014, às 14h51

ENTRE GRANDES
Com 24 anos, Avicii já é um dos DJs mais famosos do mundo
James Minchin I I I

No topo de uma pirâmide brilhante, em frente a duas picapes, o DJ e produtor sueco Avicii, 24 anos, toca dezenas de músicas durante mais de duas horas. Ele está no famoso Hollywood Bowl, em Los Angeles, e depois de enlouquecer 17 mil pessoas com o hit “Wake Me Up”, Avicii (cujo nome verdadeiro é Tim Bergling) pega um microfone, agradece rapidamente aos fãs e sai de cena. Sentado tranquilamente em seu camarim alguns minutos depois, ele admite que não é um grande fã dos palcos. “Não gosto de falar”, diz, tomando água para combater uma dor de cabeça.

Na infância, em Estocolmo, Bergling tentou aprender guitarra e piano, mas não mostrou aptidão para tocar nenhum dos dois instrumentos. Então, aos 16 anos, baixou o software de gravação caseira Fruity Loops e aprendeu sozinho a fazer house music. “Oito meses por ano, é muito frio e escuro”, conta o DJ, sobre sua cidade natal. “Não há muita coisa para fazer – durante o inverno, é muito fácil entrar em um estúdio e se concentrar nisso.”

À medida em que as músicas que fazia ficavam mais polidas, Bergling começou a se referir a si mesmo como “Avicii”, uma grafia modificada do nível mais baixo do inferno budista (mas hoje, fica desapontado quando as pessoas o chamam pelo apelido em vez de Tim). O empresário atual entrou em contato com ele em 2008, depois de ouvir algumas faixas online; logo, Bergling estava voando por todo o mundo para fazer shows. Depois de uma série de singles de sucesso, descobriu que conseguia ganhar US$ 200 mil ou mais em uma só noite.

Todos queriam ir para a balada com o astro e, por um tempo, ele entrou na onda, bebendo muito nos shows. “Era difícil fazer uma distinção”, afirma. “Estou aqui a trabalho ou por prazer?” Em 2012, ficou 11 dias internado devido a uma pancreatite aguda. Bergling diz que não é alcoólatra, mas interpretou o episódio como um alarme mesmo assim – por isso não toma um drinque há quase um ano.

Em 2013, Avicii fez uma pausa na turnê para gravar o álbum de estreia, True – trabalhando cara a cara com outros músicos pela primeira vez na vida. Conseguiu atrair alguns veteranos respeitados de fora do mundo da música eletrônica, incluindo Nile Rodgers, guitarrista do Chic, Mac Davis, colaborador de Elvis Presley, e outros. “Tim é um dos melhores parceiros de composição que já tive, sem exagero”, diz Rodgers. “Falei para ele: ‘Você é o John Coltrane do Fruity Loops’. Antes de conhecê-lo, não teria considerado alguém que trabalha com Fruity Loops um compositor sério – mas esse garoto é absurdo.”

Em uma tarde ensolarada de sexta-feira, Bergling surge em um heliponto em Los Angeles parecendo totalmente esgotado – acabou de voltar de uma sessão de composição de dez dias em Estocolmo com Wyclef Jean, depois ficou até as 4h da manhã trabalhando em uma música com Chris Martin, do Coldplay. Ele e a namorada guianesa- canadense, Racquel Bettencourt, escutam pacientemente uma instrução de segurança e sobem no helicóptero. Quando passamos sobre Hollywood Hills, o casal aponta na direção da mansão multimilionária que está comprando.

Depois de um voo de 45 minutos, pousamos em um cemitério em Bakersfield, onde uma equipe está filmando o videoclipe do novo single de Avicii, “Hey Brother”. O diretor chega e tenta, em vão, convencer Bergling a aparecer mais na câmera do que aceitou previamente. Em seguida, vem a estilista; o DJ rejeita praticamente tudo o que ela sugere, de maneira educada, mas firme. Ele não usará uma jaqueta de tweed. Absolutamente não vai tirar o boné virado para trás. E se recusa a usar outra coisa que não seja tênis, não importa quantas vezes ela peça gentilmente para que Avicii considere um par de botas.

“Por que você não usa as botas para uma porra de uma cena?”, a estilista finalmente estoura.

“Eu não quero”, ele responde simplesmente.

“Eu faço muitas coisas que não quero!”, ela grita, exasperada.

Bergling dá de ombros. “Eu não tenho de fazer.”