P&R - Bruce Springsteen

Músico acabou de liberar novo disco, mas já pensa nos próximos passos

Andy Greene | Tradução: Lígia Fonseca Publicado em 11/02/2014, às 10h01 - Atualizado em 13/03/2014, às 14h47

PLANEJADO
Springsteen revisita o passado, porém com um pé no futuro
Divulgação

Bruce Springsteen telefona de sua casa em Nova Jersey, semanas antes de levar a E Street Band à África do Sul. Naquele dia, ele passou a manhã ouvindo algumas das várias faixas inéditas que guarda em seu arquivo. “Eu simplesmente as ouço para me divertir”, conta. “Não tenho nada para fazer tarde da noite, então fico escutando esses diversos pedaços de músicas.” É exatamente assim que ele começou a montar o álbum mais recente, High Hopes, um amontoado de covers, gravações resgatadas e outras novas em folha que já eram tocadas ao vivo. Na entrevista a seguir, Springsteen falou sobre as gravações e a parceria com Tom Morello, além de dar pistas do próximo disco.

Esta é a primeira vez em que você cria um álbum com material mais antigo. Como ele foi feito?

A melhor maneira de descrever seria dizer que ele é uma anomalia – mas não muito. Não trabalho de um jeito completamente linear, como muita gente. Você tem de imaginar que, no final de uma turnê, eu entro em estúdio e estou cercado por pinturas que não estão finalizadas. Há algo errado com uma delas que não consegui terminar, e simplesmente está lá, ou outra que não se encaixou na ideia do projeto no qual estava trabalhando. Também posso sentar e escrever 12 músicas novas – só que, à medida que avanço e acumulo um conjunto enorme de projetos não lançados e inacabados, isso tem acontecido cada vez menos. Vou ao estúdio, onde estou cercado por coisas, espero, interessantes, que acho que o público está interessado em ouvir, e trabalho nelas para ver se consigo materializar algo.

Tudo sobre a turnê de Bruce Springsteen que passou pelo Brasil e o maior show de rock da atualidade.

Tom Morello toca em oito faixas. Como essa participação mudou o álbum?

Ele pegou essas músicas e as trouxe para o agora. É um dos poucos guitarristas que criam um mundo sozinho. The Edge faz isso; obviamente Pete Townshend, Jimi Hendrix, os grandes guitarristas também [ fazem ou faziam]. Johnny Marr, do The Smiths, tinha essa habilidade. É engraçado – a E Street Band é como uma casa bem grande, mas Tom Morello constrói outro cômodo quando está lá. Ele tem tanta criatividade e se tornou um filtro para este material – mostrei todas as músicas para ele, que me devolvia com um ângulo muito atual. Não sei bem se o disco existiria exatamente sem a influência dele. Ele me permitiu unir tudo de uma forma que eu estava buscando e não havia encontrado. Agora, para mim, parece um álbum.

Você relançou Darkness on the Edge of Town e Born to Run nos últimos anos. Pretende revisitar outros discos?

Uma das coisas que estamos olhando é um projeto com The River (1980), parecido com o que fizemos com Darkness... Depende do material disponível e do que ele precisa. Com Darkness... , conseguimos lançar muita coisa que não tinha sido disponibilizada até aquele momento. Foi divertido, mas há muita coisa. Estou buscando o contexto para lançar coisas diferentes e o que parece certo no momento – o que parece ser interessante para os fãs em uma época ou que você sente que precisa fazer em uma determinada hora.

Você continua escrevendo sua autobiografi a?

Já escrevi um pouco. Esse negócio começou com o ensaio que escrevi sobre o Super Bowl e que publicamos online. Escrevi um pouco mais, e ainda não chamaria de livro. São escritos diversos.

Você já falou sobre a existência de outras músicas inéditas, compostas antes de Wrecking Ball (2012). Poderá retomá-las em algum momento?

Esse era um grupo muito desenvolvido de faixas solo em um gênero diferente, no qual trabalhei por muito tempo antes de Wrecking Ball, mas Wrecking Ball acabou tomando a frente. Elas estão por aí – embora eu esteja, na verdade, trabalhando nelas agora.

Está dizendo que aquele álbum poderá ser seu próximo lançamento?

Não sei [risos]. É a única coisa em toda esta conversa sobre a qual eu não sei exatamente o que estou fazendo.

Você fez uma pausa de sete anos no lançamento de novos álbuns de estúdio entre The Ghost of Tom Joad (1995) e The Rising (2002). Só que, atualmente, parece estar lançando músicas em um ritmo muito mais rápido. O que leva a isso?

É aquela velha história de “a luz do trem que está chegando faz a mente se concentrar”.

Você está vendo um trem chegando?

Você não? Quantos anos tem?

Tenho 32.

Ah [ri muito]. Você ainda não vê, mas ele está chegando!