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Trio Zulumbi liga sonoridades nacionais e africanas ao hip-hop

Leonardo Dias Pereira Publicado em 14/03/2014, às 13h07 - Atualizado às 13h07

MISTURA
Lúcio Maia, Rodrigo Brandão e DJ PG formam o Zulumbi
camila miranda/DIVULGAÇão

A gênese do projeto Zulumbi remonta à canção “Zumbi x Zulu”, gravada em 2000 pelo Nação Zumbi, do guitarrista Lúcio Maia, no álbum Rádio S. Amb. A. Passados seis anos, Maia e seu parceiro, o vocalista Jorge du Peixe, foram convidados para participar da faixa “Zulu/Zumbi”, do Mamelo Sound System, integrado pelo MC Rodrigo Brandão. O tema em comum nas duas músicas era bem claro: cantar a integração da cultura afro-brasileira com a arte propagada por Afrika Bambaataa em sua Zulu Nation. A fusão que levou ao nome Zulumbi foi questão de pouco tempo. “Quando começamos esse projeto, a música ‘Zulu/Zumbi’ foi uma referência forte, muito pelo lance de ter hip-hop, instrumentos tocados ao vivo e o elemento percussivo dando o tom”, explica Brandão, a voz do trio, que além de Lúcio Maia tem ainda o DJ PG, do grupo Elo da Corrente. “Aquilo era a intersecção entre o nosso trabalho.”

A ideia começou a ser burilada nos idos de 2011, mas ficou um tempo em banho-maria devido aos compromissos pessoais dos integrantes – Lúcio Maia excursionava com a cantora Marisa Monte, enquanto Brandão estava envolvido com M. Takara no projeto Ekundayo. Somente no último semestre de 2012 o trabalho decolou de vez, e para Maia esse intervalo contribuiu para o sucesso da nova empreitada. “Queríamos que todos esses elementos – hip-hop, percussão e música afro-brasileira – estivessem bem sólidos dentro do contexto do hip-hop paulistano. E que também não fosse só mais um entre vários trabalhos”, afirma o guitarrista. “Criamos a banda para justamente correr por fora de tudo que já fizemos, com todos esses elementos muito mais arraigados no trabalho, algo que soasse tudo ao mesmo tempo e que fosse de maneira espontânea. De certa forma, conseguimos.”

Brandão se diz animado com o resultado final. “Minha pretensão é colocar em voga o som da macumba, que apesar de ser algo secular ainda tem uma aura fora da lei”, afirma. “Macumbeiro ainda continua sendo um xingamento, mas eu sou macumbeiro mesmo!”