Na Telinha Está Melhor

Hoje em dia todo mundo já sabe: a televisão superou o cinema

Miguel Sokol Publicado em 09/04/2014, às 06h27 - Atualizado às 06h32

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Divulgação

E o Oscar vai para... (Normalmente você leria só a palavra “suspense” entre parênteses, pois suspense é o que ocorre no segundo de silêncio antes da abertura do envelope em cerimônias de premiação. Acontece que esses parênteses dizem respeito ao instante em que Jennifer Lawrence leu o nome do vencedor na categoria de Melhor Ator no Oscar 2014. Foi um segundo cheio de significados.

Para começar, naquele segundo, foi possível assistir ao nascimento de mais um Gif animado de decepção do Leonardo DiCaprio. Se ele já era avacalhado pelas três derrotas anteriores, ele se consagrou nesta quarta vez como o verdadeiro Rubens Barrichello de Hollywood.

Aquele segundo também foi histórico, pois no envelope havia, pela primeira vez, o nome de um ganhador que perdeu para si mesmo. Matthew McConaughey fez tudo o que manda a cartilha do Oscar – emagreceu espantosamente e ganhou uma aparência sofrida para interpretar um papel dramático. O que a Academia jamais suspeitaria é que ele, favorito ao prêmio e no auge da carreira, estrelaria e brilharia em uma série de TV – e com um desempenho ainda mais impressionante. Se McConaughey atuou bem em Clube de Compras Dallas, então ele esteve melhor ainda na aplaudida série True Detective. Sendo assim, é como se ele tivesse perdido para ele mesmo.

Talvez você discorde e gosto não se discute, mas sucesso é discutível, sim. E é inegável que a televisão tem conseguido mais repercussão do que o cinema. Benedict Cumberbatch não era uma presença ilustre no Oscar por causa do discreto papel em 12 Anos de Escravidão, mas sim pelo sucesso da série Sherlock, que tem rendido a ele fãs tão malucas quanto as do Justin Bieber – aliás, elas se autointitulam “cumberbitches”. Daí pergunto: algum medalhão do cinema que ainda não se rendeu à TV tem esse tipo de fã? Então, como se chamariam as fanáticas pelo Brad Pitt? Que tal... “velhas”?

O cinema hoje pode ser tudo, menos uma novidade. E, quando digo que Sherlock é surpreendente, é também pela inovação do formato. Cada temporada é composta por três episódios de uma hora e meia – são praticamente três filmes, entregues ao público em três semanas. Uma velocidade que permite aos fãs viverem a história e movimentarem a internet, que deixa de ser a principal fonte da pirataria para enfim se transformar na verdadeira “smart TV”.

A esta altura, a Academia já percebeu que lhe falta instantaneidade. Afinal, convenhamos, o maior sucesso desse Oscar não foi filme algum, mas a foto selfie comandada pela Ellen DeGeneres. E será assim enquanto uma série cinematográfica como Jogos Vorazes, estrelada por Jennifer Lawrence, continuar levando meia dúzia de anos para ser entregue ao público. Aliás, será que a celebrada atriz pensou nisso antes de encher os pulmões para fechar estes parênteses? Nunca saberemos.)

... Matthew McConaughey.