P&R - Julian Casablancas

Líder do Strokes se prepara para lançar o primeiro disco com a nova banda, The Voidz

Pedro Antunes Publicado em 12/05/2014, às 20h22 - Atualizado às 20h31

Anônimo
Casablancas sente falta do tempo em que não fazia sucesso
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Pedro Antunes

Julian Casablancas, creditado como um dos responsáveis por ajudar a redefinir o rock no início dos anos 2000, havia acabado de deixar o palco do festival Lollapalooza, em São Paulo, onde apresentou seu show solo. Jogado no sofá do camarim improvisado para o Muse e, posteriormente, na mureta da reta dos boxes no Autódromo de Interlagos, o vocalista alternava momentos de extrema seriedade e brincadeiras, mas sempre se mostrando animado com a nova banda, The Voidz, cujo álbum de estreia só deve sair no segundo semestre. Reconhecendo que as performances ainda estão longe do ideal, como foi o caso no evento paulistano, ele afirma saborear o período exclusivamente de novidades.

Você tem feito uma escolha de repertório pouco ortodoxa para festivais. Hoje, tocar hits é chato?

Para mim, é. Sabe, estava falando com o Thomas [Mars, vocalista do Phoenix] há pouco. A minha parte favorita do show deles foi justamente aquela em que o público parecia estar confuso. É claro, é legal quando eles estão enlouquecidos, mas é interessante ver todos com cara de “o quê?”

Você tem se sentido pressionado a lançar novas músicas logo?

Temos sempre uma pressão própria quando se tem algo a fazer e terminar. Mas estamos fazendo [o disco] passo a passo. Eu não ligo em fazer esse processo do início porque estamos vivendo a parte mais divertida, com esse começo de turnê. Logo os shows vão melhorar, as músicas também, e talvez as pessoas reajam mais, mas provavelmente não será tão divertido. Você meio que fica cansado das canções.

No show, as músicas me pareceram bem pesadas.

Estou realizando o meu sonho musical. O meu primeiro disco solo era legal. Quero dizer, em termos de letra e musicalmente, o disco tinha uma atmosfera legal, só que tudo era muito quadrado melodicamente. As letras eram ok. Mas meio que não foi tão longe quanto eu gostaria.

A cena musical de Nova York de 2014 ainda lembra aquela de quando você começou?

Na verdade, estou pensando em sair de lá. Gostaria de morar em vários outros lugares. Andar por lá é meio chato, às vezes. Sempre falei que me mudaria para o Havaí na primeira oportunidade.

Como foi colaborar com o Daft Punk? Foi aquilo que você esperava?

Quando os encontrei no estúdio, eles sequer estavam na forma humana [risos]. A gente trabalhou em outra música [além da já conhecida “Instant Crush” ] e ela nunca foi finalizada. Eu tinha gostado bastante, era esquisita e divertida ao mesmo tempo.

Você fundou a própria gravadora, a Cult Records, em 2009. Como tem sido a experiência?

Se existisse o selo perfeito para a forma como eu gusto de fazer as coisas, eu provavelmente não me preocuparia com isso. Fico honrado e lisonjeado de que as pessoas queiram o meu conselho. E eu sou um desgraçado que opina sempre [risos].

Como é ser o chefe?

É difícil jogar esse jogo de predadores, sabe? Com esses promotores de shows e essa merda de mundo da música, que se tornou um negócio. Fazer coisas legais no meio disso tudo é como estar em uma jangada em alto-mar debaixo de uma tempestade.

Preciso perguntar sobre o Strokes...

[Interrompe] Acho que não vou conseguir responder o que você quer saber.

Vocês vão tocar no Governors Ball Music Festival (Nova York), em junho...

[Interrompe] Ainda somos uma banda.

Queria saber se vocês vão tocar músicas do ultimo disco, Comedown Machine (2013), para o qual vocês não fizeram turnê, entrevistas, fotos de divulgação e sequer uma arte de capa.

Não fizemos? Acho que queríamos fazer as coisas de forma diferente. É algo que estamos descobrindo agora. Eu adoraria fazer uns 30 shows sem que ninguém nos visse, em um bar diante de gente que não sabe quem é o Strokes, entende? Tivemos isso no começo. Nossos primeiros shows eram assim. Eu queria fazer dez vezes mais desse tipo de show, mas simplesmente não podemos.