P&R - Peter Dinklage

Astro de Game of Thrones ganha papel de destaque no novo filme dos X-Men

Mariane Morisawa Publicado em 12/05/2014, às 20h31 - Atualizado às 20h39

Peter Dinklage trabalhava em produções independentes quando Game of Thrones surgiu na vida dele. Tudo mudou para o ator com o papel de Tyrion, o caçula da poderosa e inescrupulosa família Lannister. Dono das melhores frases do seriado baseado na obra do escritor George R.R. Martin, ele passou a ser reconhecido com prêmios, como o Emmy e o Globo de Ouro, e também na rua, onde estranhos se aproximam, em geral sem pedir licença. Agora, Dinklage ganha mais um papel de destaque, desta vez em X-Men – Dias de um Futuro Esquecido (previsto para estrear no Brasil em 22 de maio), do diretor Bryan Singer. No filme, ele interpreta Bolivar Trask, o cientista criador dos Sentinelas, robôs feitos para destruir os mutantes.

Você chamaria o seu personagem de vilão?

Bem... Não em um senso tradicional. O que realmente gostei é que ele é muito complexo. Ele não é um vilão comum, do mal. Ele é um homem da ciência. Mas, sim, as intenções de Trask são agressivas, são coisas com as quais eu normalmente não concordaria.

Os quadrinhos da Marvel são conhecidos pelo humor. Isso entra no seu personagem?

Ele é sério. Quer ser levado a sério. Qualquer humor que surja vem do fato de ele não ser tão levado a sério quanto gostaria, só que eu não o chamaria de engraçado. Mas às vezes o melhor humor vem de situações sérias.

Você é engraçado?

Eu? Sim, já fiz algumas pessoas rirem. E gosto disso. Certamente é o que me faz atravessar um dia difícil. Conheço muita gente bem mais engraçada, que ganha dinheiro com isso. Mas, sim, gosto de fazer rir, especialmente minha mulher.

O filme volta no tempo até os anos 1970. Na vida real, você era criança nessa época. Como foi crescer naquele tempo?

Não tínhamos computadores como as crianças têm hoje. Você brincava na rua. Passei minha infância ao ar livre, e lia muitos livros. Não peguei tanto a fase dos videogames, mas eu jogava Dungeons & Dragons, que é um RPG muito famoso. Tenho orgulho disso! [risos]

Os anos 1970 têm um visual muito particular. E as fotos do filme mostram você bem caracterizado.

Sim, com aquele cabelo e bigode! É meu cabelo mesmo! [risos] Não era uma época discreta em termos de visual. Mas meu personagem é um cara arrogante, tem orgulho da aparência dele.

Imagino que, como você tem interpretado Tyrion há alguns anos, é bom mudar de visual.

Com certeza! Nenhum ator gosta de se repetir, nem mesmo no visual. Essa é a graça de ser ator.

Qual a importância de Game of Thrones para a sua carreira?

Bem, é um grande emprego. Claro que uma série como essa te coloca sob o escrutínio do público, o que é um pouco difícil de lidar. A privacidade diminui. Antes eu era ator de filmes independentes, quando alguém me reconhecia numa esquina, eu tinha de ajudar a pessoa a lembrar de onde. Agora isso mudou completamente. De vez em quando ainda fico um pouco abalado com isso, mas é um seriado incrível. É muito bem escrito, sempre fico ansioso para receber os roteiros a cada ano.

Agora que todo mundo tem uma câmera no celular, deve ser um pouco complicado lidar com a fama trazida pela série.

Sim. Tento ser discreto, mas é difícil. De qualquer maneira, é um problema de burguês, como costumo dizer. Você precisa compreender que é uma das consequências [do trabalho]. Mas eu tenho dias bons e dias ruins, como todos. Às vezes não me incomoda em nada, mas as câmeras nos celulares fazem com que cada um se sinta um pouco um espião. Ninguém pede mais permissão para tirar sua foto. Isso é falta de boas maneiras, basicamente. Mas enfim...

É difícil construir uma carreira nesse ramo. Como você lidou com as adversidades?

Não sei o que aconteceu. Eu só tive sorte. Nunca usaria a palavra “difícil”. É difícil cavar valas na estrada. Ser ator... Se você olhar sob certo ângulo, pode parecer difícil. Mas fazer uma coisa que você ama não é difícil. É muito pior estar preso em um emprego que não te faz feliz. Ser ator é fazer o que você quer – pode ser cansativo, mas não é difícil.