O Crepúsculo Nerd

Por que Silicon Valley e Halt and Catch Fire estão entre as melhores séries da televisão norte-americana hoje.

Rob Sheffield | Tradução: Ligia Fonseca Publicado em 11/06/2014, às 16h42 - Atualizado em 13/06/2014, às 16h26

Ingênuos 

Três dos geeks sedentos pela fama de Silicon Valley; (no detalhe) Halt and Catch Fire, inédita no Brasil.

A nostalgia geek tecnológica parece estar no ar, desde a rotina dos engenheiros de 1983 na excelente série Halt and Catch Fire (sem previsão de estreia no Brasil) aos criadores de aplicativos na comédia Silicon Valley, exibida pela HBO.

Silicon é cheia de aspirantes a magnatas de softwares. Nesse “Entourage para nerds”, demora alguns episódios para o espectador começar a diferenciar os personagens, o que faz parte do negócio. Eles estão tão apaixonados pela ideia de se tornar Steve Wozniak-e-Steve Jobs, Larry Page- -e-Sergey Brin, que não têm personalidades individuais para defender. Saltam de reuniões humilhantes para festas corporativas incríveis com artistas como Flo Rida ou Kid Rock, mas, para onde quer que sigam, ninguém os nota no mar de rapazes com blusas pretas de gola alta.

Com outro olhar, a ambiciosa Halt and Catch Fire é ambientada no início da revolução dos PCs, um ano antes do Mac virar o mundo de cabeça para baixo. Enquanto isso, um engenheiro frustrado (Scoot McNairy) lamenta o fracasso em enriquecer com suas ideias.

Halt and Catch Fire acontece em um momento no qual o velho mundo se choca com o novo – mas não há como prever o que sobreviverá e o que será esquecido. No entanto, como Silicon Valley, a série aborda uma seminal tristeza masculina norte-americana: o medo de fi car obsoleto, de ser deixado para trás– como quando se fi ca de fora da IBM em 1983 ou do Google em 2014. De certa forma, eles não são tão diferentes do personagem Michael Ginsberg em Mad Men, gritando que os computadores vieram para sugar a essência vital dos homens. Estão lutando contra o pavor de que o mundo de fantasia deles esteja desatualizado e não represente o futuro. Só que, de alguma forma, a fantasia parece nunca morrer – nem o terror que a acompanha.