O Último Voo do Zeppelin

Jimmy Page e Robert Plant falam sobre os relançamentos especiais e por que este realmente pode ser o fim do Led Zeppelin.

Andy Greene Publicado em 11/06/2014, às 14h33 - Atualizado em 13/06/2014, às 15h31

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John Paul Jones, Jimmy Page, Robert Plant e John Bonham em 1968.
Getty Images

Jimmy Page está parado quase exatamente no mesmo ponto no Olympic Studios, em Londres, onde, há 45 anos, gravou a guitarra para “Whole Lotta Love”. Um assistente aperta um botão no painel de controle e o riff de abertura da música toca em um volume ensurdecedor, mas não soa exatamente certo. Os vocais de Robert Plant são provisórios e o solo de guitarra durante a pausa instrumental não está lá. Em vez de destruir tudo em seu caminho, essa versão soa como se pudesse seguir diferentes direções. “Sedutora, não?”, pergunta Page.

O guitarrista encontrou a faixa inédita em um cofre fortemente protegido e com temperatura controlada em Londres, onde as fitas master do Led Zeppelin estão guardadas junto a negativos dos filmes de Harry Potter e outros artefatos britânicos valiosos. É uma das dezenas de pérolas inéditas que aparecerão em uma nova série de reedições durante os próximos meses – versões deluxe dos nove álbuns do Zeppelin, começando com os três primeiros, em 3 de junho.

De sua parte, Robert Plant deu a benção ao projeto, mas não está tão envolvido. “O dia não tem muitas horas”, afirma, “mas Jimmy é um catedrático.” Ele está em uma sala particular acima do pub preferido dele em Londres, a poucos quarteirões de casa, e, enquanto fala sobre a época áurea do Zeppelin nos anos 1970, não deixa dúvidas sobre seu entusiasmo. “Aquele período por volta do Led Zeppelin II foi de alterar a mente”, conta. “Foi um sonho realizado para mim e para [John] Bonham.

Ambos viemos da mesma região da Inglaterra, e realmente foi como o Black Keys vindo de Akron. Éramos mais ingênuos do que os outros dois.” Os trabalhos na reedição dos discos podem ser o último suspiro de uma volta do Zeppelin que começou em 2007, quando a banda fez um único show de reunião na O2 Arena, em Londres. Uma turnê completa parecia uma possibilidade real – até Plant vetá-la. Claramente, este ainda é um assunto delicado. Enquanto fala, ele se inclina para a frente de forma ameaçadora, com os olhos arregalados: “Uma turnê teria sido uma mostra absoluta de interesses particulares e da própria essência de tudo o que é ruim no rock grandioso feito para os estádios”, desdenha. “Você está voltando para as mesmas coisas. Eu não faço parte de uma jukebox!”

Agora, até Page admite que qualquer atividade futura do Zeppelin é improvável. “As pessoas me perguntam quase todo dia sobre uma possível reunião”, conta, com um suspiro. “A resposta é ‘não’. Sempre há uma possibilidade de me exumarem e me colocarem sobre o palco em um caixão e tocarem uma fita, mas não sei.”

Page não lançou nenhuma música nova nos últimos 16 anos, nem fez um show completo além da apresentação única do Led Zeppelin em 2007. Ele finalmente está começando a pensar em levar a carreira adiante, mas parece não saber ao certo como. “Toco guitarra toda semana e quero entrar em uma forma que considere boa”, diz. “Pretendo chegar a um ponto onde posso fazer alguns shows. Como eles serão, não sei. Tenho muito material que juntei nos últimos três anos. Muito.”

Plant está comprometido em fazer uma turnê para seu próximo álbum solo, que gravou com Jah Wobble, do Public Image Ltd., e membros do Massive Attack. Também está falando com Alison Krauss para se juntarem e gravarem outro álbum. Ainda assim, ele se recusa a dizer que nunca mais estará à frente do Zeppelin. “Acho que não tem nenhum motivo para eu fazer isso”, afirma. “Caso contrário, não há motivo para sermos místicos.”

Plant se levanta para ir embora, mas dá meia-volta. “Você sabe por que o Eagles disse que se reuniria quando ‘o inferno congelasse’, mas a banda se reuniu ainda assim e continuou fazendo turnês mesmo com os membros se detestando?”, ele pergunta. “Não é porque eles receberam uma fortuna. Não se trata de dinheiro. É porque estavam entediados. E eu não estou entediado!”