Sombrio e Nacional

INKY lança primeiro álbum visando revelar a outra face do rock brasileiro.

Gaíia Passarelli Publicado em 13/06/2014, às 15h31 - Atualizado em 18/06/2014, às 11h29

Climáticos

(A partir da esq.) Stephan Feitsma, Guilherme Silva, Luiza Pereira e Victor Bustani.

É um prédio no centro de SP, no meio do caos urbano. Intencionalmente ou não, acabamos passando essa atmosfera para o álbum”, conta Stephan Feitsma, guitarrista do quarteto paulistano INKY, falando das gravações do primeiro disco da banda. Com dez faixas e puxado pela emblemática “Echoes in the Grove”, Primal Swag foi gravado ao vivo no Red Bull Station, em plena Praça da Bandeira, centro velho de São Paulo.

A vocalista Luiza Pereira define o INKY como “uma banda de rock, não importa se com guitarras ou sintetizadores”. A opção pela gravação ao vivo remete a essa renúncia por rótulos, como um grupo que não quer se encaixar em cena alguma. “Gravamos todo o instrumental ao vivo porque queríamos fazer uma gravação que captasse a energia das músicas, com a química do ao vivo”, conta Luiza. “Foi também questão de mostrar um disco imperfeito, com erros de execução, que soasse verdadeiro.”

Em contraste com o “primal” (primitivo, em inglês) do nome do álbum, a força do INKY vem de uma sonoridade bastante lapidada e atmosférica. É quando assume o climão eletro-dark-rock que o quarteto brilha, caso do EP Parallels (2013). É nesse trabalho que está uma das maiores joias do quarteto até agora: “Baião”, épico eletrônico com ecos de Giorgio Moroder, que ganhou videoclipe em formato de curta-metragem, mostrando um fictício submundo de corridas de bicicleta na capital paulista. O vídeo, produção da banda com amigos e com apoio da produtora Alaska, foi aclamado esse ano com o prêmio da crítica no Music Video Festival.

Embora Primal Swag seja o disco de estreia, o INKY nasceu em 2011, completado por Guilherme Silva (baixo) e Victor Bustani (bateria), e a evolução sonora é nítida no trabalho. São dez faixas misturando sintetizadores e guitarras fortes em tons sombrios sobre os vocais de Luiza, sempre em inglês. “Sinto que no Brasil tem essa ideia de que o que é produzido aqui tem que ser regional, senão é desaforo”, diz a cantora. “Queremos fazer música para o mundo e mostrar uma cara diferente do rock no país.”