Tatá Werneck

Depois de atuar em novela, humorista volta ao escracho em programa na TV paga.

André Rodrigues | Colaborou: Pedro Antunes Publicado em 13/06/2014, às 14h19 - Atualizado às 15h27

Normal
Tatá ainda não se enxerga como “celebridade”

Tatá Werneck nasceu para o mundo televisivo fazendo micagens em um palco. Na MTV, improvisava tipos e piadas em programas como o Quinta Categoria. Foi contratada pela Rede Globo e arrebatou o país logo no primeiro papel em uma novela (a Valdirene de Amor à Vida). Agora, Tatá volta para o berço. Em julho, o Multishow lança Tudo pela Audiência, programa em que ela e o comediante Fábio Porchat, sócio do Porta dos Fundos, sobem ao palco para fazer troça das baixarias dos outros, satirizando quadros populares de programas de auditório, como o “Banheira do Gugu”. Ela também será repórter do Caldeirão do Huck na Copa, fará uma participação em um especial de Renato Aragão e é cotada para assumir o papel principal de uma novela em 2015.

Valdirene queria ser famosa, e agora você vai comandar o Tudo pela Audiência. É só coincidência ou esse assunto (a busca da fama) é uma preocupação para você?

Não, nunca foi, nunca na vida eu busquei ser famosa. Minha preocupação, na verdade, foi sempre fazer o que eu gosto e conseguir viver do meu trabalho com dignidade. Eu queria poder trabalhar

como atriz e poder casar, ter filhos, sustentar família.

O programa satiriza a busca desenfreada pela audiência, mas nele você lida com pessoas reais, não personagens. Não tem medo de, pela sátira, legitimar a baixaria?

Como assim, legitimar a baixaria? Colocar pessoas reais em situações de vulnerabilidade? Nós estávamos em situações de vulnerabilidade. Nós pensamos muito nisso. Eu jamais zoaria alguém se

eu não estivesse com uma calcinha enfiada na bunda. Lá, eu beijei senhoras, dei beijo triplo em senhoras. Eu estou zoando, o Fábio [Porchat] está me zoando, a gente não obriga ninguém a nada.

A gente chegava e falava: “Quem quer tirar a calça?” Era só abaixar a calça um pouquinho, mas teve uma senhora que mostrou a bunda e agachou. A gente jamais submeteria alguém ao ridículo. A gente se põe como alvo do ridículo em primeiro lugar.

Hoje, você é uma celebridade. Há algo que te incomoda na fama?

Essa palavra me incomoda muito. Eu acho que “celebridade” é uma palavra que não está nem um pouco ligada a esforço, trabalho, dedicação, estudo – a todas as coisas que fizeram e fazem parte do

meu processo.

Você acredita que a onda de processos judiciais no humor nacional, principalmente por causa do stand-up, perdeu força?

Eu acho que não. Acho que está cada vez mais vigiado. Qualquer coisa hoje vira registro. Qualquer frase deslocada pode virar um ato neonazista. Acredito que a gente tem que tomar cada vez mais

cuidado, porque as pessoas cada vez menos entendem o que é humor e o que é agressão gratuita. Tem quem se aproveite para agredir, simplesmente para falar coisas horríveis como se fosse humor.

Não, isso não é humor. Humor é para levantar questões por algum tipo de transformação e para fazer rir.

Você já disse que não gosta de deixar ninguém chateado por causa de uma piada. Ainda pensa assim?

Não gosto de deixar ninguém chateado, não só com piada, mas com nada na vida. Sou toda boba, manteiga, choro com as coisas.

Em sites e portais, seu nome entrou na categoria “gostosa”. Você pretende posar nua?

Não, não pretendo posar nua. Em que site você viu isso? E eu não tenho categoria nenhuma. Gente, eu tenho um metro e meio! Eu acho duas coisas engraçadas. Uma: pelo fato de trabalhar com humor, as pessoas sempre pensam: “Quem é a Tatá mulher?” Parece que porque você faz humor vai sempre sair um alien da sua cara. Todo dia acordo com um pesadelo de entrar na web e aparecer a chamada: “Com corpo escroto, Tatá Werneck exibe formas estranhas na praia”.

Nos últimos anos, muita coisa deve ter mudado na sua vida, menos a paixão pelo Bruno Mars...

Tem coisas que não vão mudar. Minha paixão pelo [personagem mexicano] Chaves: o Chaves é o grande amor da minha vida. Eu estou agora em contato com o filho dele para ver se eu consigo ir visitá-lo. E eu também amo o Bruno Mars.