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O curioso caso do sumiço do rock: muitos tentam, mas o verdadeiro bastião desse gênero é Josh Homme

Então, será que o rock morreu e está enterrado em trilha sonora de propaganda para sempre?

Miguel Sokol Publicado em 25/08/2014, às 17h08 - Atualizado às 18h54

Muitos tentam, mas o verdadeiro bastião desse gênero musical é um só: Josh Homme
Gabriel Góes

Os dois filmes da cinessérie Sherlock Holmes dirigidos por Guy Ritchie, ex-marido da Madonna, não resolveram este caso. Os seriados Elementary e Sherlock também não. E eu garanto que o já anunciado filme com o ator Ian McKellen, o Magneto da franquia X-Men, interpretando uma versão quase gagá do detetive mais famoso do mundo, também não o desvendará.

Edição 91: Como os Beatles Conquistaram o Mundo.

Sobrou para mim. Cachimbo na boca, uma lupa na mão e um chapéu ridículo na cabeça para solucionar um mistério eterno: o rock morreu? Dedução, indução, etc.: eu usarei todos os métodos de investigação ensinados por Holmes para saber se, de fato, o famigerado espírito do rock ainda vive em alguma grande banda deste duomilésimo décimo quarto abençoado ano de nosso senhor.

Artistas elegem os riffs mais marcantes do rock internacional.

• U2: já foi uma grande banda, hoje é uma grande ONG.

• Radiohead: insistindo em colocar o talentoso guitarrista Jonny Greenwood para apertar botõezinhos enquanto Thom Yorke se lamenta, realmente não se encaixa mais na categoria de banda de rock.

• Thirty Seconds to Mars: Jared Leto é um bom ator, mas fica péssimo interpretando um roqueiro.

• Maroon 5: estamos procurando o espírito do rock em uma banda de verdade, né?

• Arcade Fire: parece mais um bloco indie de Carnaval. Se desfilasse no lugar dos Acadêmicos do Baixo Augusta, ninguém notaria a diferença.

• Muse: jogo de RPG é uma coisa, banda de rock é outra.

• Red Hot Chili Peppers:recentemente um interrogador norte-americano afirmou que uma música da banda era tocada repetidas vezes como forma de tortura na prisão de Guantánamo, em Cuba. Preciso dizer mais alguma coisa?

• Libertines: muita polêmica, pouca música.

• Guns N’ Roses: virou comercial de cerveja na Copa do Mundo.

Então, será que o rock morreu e está enterrado em trilha sonora de propaganda para sempre?

Elementar, meu caro Watson: não, a solução deste caso encontra-se no hino da coroa britânica, God Save the... Queens, Queens of the Stone Age. Já são seis discos lançados, todos ótimos, originais e diferentes entre si. Está mais do que na hora de afirmar que Josh Homme lidera a maior banda de rock em atividade neste planeta. Ele consegue reunir o Nine Inch Nails e Lindsey Buckingham, do Fleetwood Mac, no mesmo palco; Elton John e Dave Grohl no mesmo disco, colocando o líder do Foo Fighters no seu devido lugar – a bateria. Sem falar que Homme é o grande mentor do Arctic Monkeys, o homem que praticamente ressuscitou Mark Lanegan, e mais, quando alguém lhe falta com respeito, não há hesitação. Ele já mandou publicamente o todo-poderoso Jay Z e a grande instituição que é o Grammy para a p... piii.

Uma seleção das mais polêmicas, absurdas e ultrajantes autobiografias do rock.

O rock ainda está entre nós, meu caro Watson, mas seu assassino continua à solta: nós bem sabemos do que é capaz o degenerado Coronel Mostarda com a chave inglesa, no escritório, neste jogo de tabuleiro que se tornou o mercado musical.