Obra Exaltada

Raridades e clássicos da discografia d’Os Mutantes são reunidos em box.

José Julio do Espírito Santo Publicado em 14/08/2014, às 10h25 - Atualizado em 19/08/2014, às 14h35

Atemporal
Detalhe da capa do disco Mutantes, de 1969, que está na caixa
Foto: Divulgação

Integrante fundador d’os mutantes e único a carregar o nome da banda até hoje, Sérgio Dias tem vários motivos para estar feliz. Além de já pensar em um novo álbum, ele celebra o box Os Mutantes, que traz os cinco primeiros trabalhos da banda, o posterior Tecnicolor (2000) e a coletânea Mande um Abraço pra Velha, repleta de faixas raras.

Enquanto o lançamento comemorativo sai do forno, Arnaldo Baptista comemora os 40 anos do cultuado Lóki?. “É estupendo, um dos melhores discos do Brasil”, brada Dias, exaltando o primeiro LP solo do irmão. “Eu sentia que podia extravasar de alguma forma. Então, gravei Lóki? inteiro sem guitarra”, relembra Baptista sobre sua obra-prima, que foi relançada em 2009 e não tem uma nova edição prevista. Hoje, o músico prepara sem pressa o disco Esphera, no estúdio que mantém em Juiz de Fora (MG).

Rita Lee, o outro vértice do trio, nunca se dispôs a rememorar o passado ao lado dos dois irmãos desde que partiu para a carreira solo, em 1972. Baptista, que deixou a banda no ano seguinte, chegou a tocar em Mutantes ao Vivo – Barbican Theatre, Londres 2006, mas saiu logo em seguida. “É só a realidade, entende? A realidade! Eu não me engano mais de que essa ou aquela pessoa me ama, que essa ou aquela pessoa sente falta de mim ou coisa do gênero”, Dias desabafa. Ele não tem mais contato com Rita ou Baptista. “No entanto, eu nunca vou deixar de amar Rita e nunca vou deixar de amar Arnaldo. De jeito nenhum. Nem de deixar de ter orgulho do que fizemos juntos.”