Sem o Rabo Preso

Lucas Brêda Publicado em 08/09/2014, às 16h52 - Atualizado em 11/09/2014, às 12h58

Autônomos
Banda lança primeiro álbum independente.
Para se afastar do estereótipo de “banda retrô apaixonada por Stones, Beatles e Mutantes”, o Cachorro Grande decidiu que só faria os arranjos das músicas do sétimo disco de inéditas no estúdio. “Pensamos: ‘Quem sabe não é hora de expandir essa sonoridade?’”, diz Beto Bruno, vocalista da banda. O resultado está em Costa do Marfim, lançado neste mês, com faixas mais longas (de oito a dez minutos) e densas, absortas em baterias eletrônicas e overdubs. “Era uma paixão que já tínhamos, mas nunca conseguimos misturar [com o nosso som]”, ele continua, enumerando as referências enfim abraçadas, entre elas The Clash, David Bowie e The Chemical Brothers. O elemento agregador foi o produtor Edu K, responsável por revolucionar o processo de gravação. Tudo ficou “mais livre, mais louco”, segundo Bruno. “A última coisa a ser gravada, diferentemente de todos os nossos outros álbuns, foi a voz.” De acordo com o vocalista, Costa do Marfim é o primeiro disco totalmente independente e marca essa nova aventura experimental, mas o Cachorro Grande nunca se deixou influenciar por pressões externas. “Nos perguntam: ‘[Agora] vocês têm mais liberdade artística?’”, diz ele. “A gente sempre teve.” São 15 anos de carreira completados em 2014 e alguns flertes com o mainstream do rock brasileiro. Hoje, os gaúchos estão mais preocupados em criar uma obra sólida e arriscada, promovendo uma mudança, segundo eles, necessária na carreira. “Foram seis discos de estúdio e um DVD”, relembra o frontman, reflexivo. “É importante, para nós, como artistas, dar essa crescida.”