Tudo pelo samba

Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda unem forças para ajudar a renovar e resgatar o gênero.

Paulo Cavalcanti Publicado em 10/09/2014, às 13h07 - Atualizado em 11/09/2014, às 12h57

Em dupla

Diogo Nogueira (à esq.) e Hamilton de Holanda se conheceram em 2009.
Rafaê Silva

Naturalmente bem-sucedidos em suas carreiras, o cantor Diogo Nogueira e o instrumentista Hamilton de Holanda, mestre do bandolim de dez cordas, unem-se no projeto Bossa Negra. A intenção é resgatar as raízes do samba e, ao mesmo tempo, buscar um caminho para renovar o estilo. Nogueira trouxe sua formação de sambista clássico, enquanto Holanda despeja o conhecimento que tem de chorinho e música erudita. O álbum, que sai pela gravadora Universal Music, é basicamente autoral, embora tenha algumas regravações, como “Risque” (Ary Barroso), “Mundo Melhor” (Pixinguinha e Vinicius de Moraes) e “Mineira” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro). A gênese do Bossa Negra, na verdade, surgiu há algum tempo. Em 2009, os músicos se conheceram em um show em Miami e logo começaram a trocar ideias. “Esse foi nosso primeiro encontro. Foi bem natural partirmos para esse caminho”, diz Nogueira. “Logo percebemos que tínhamos muitas coisas em comum.” Dentre esses interesses mútuos está Os Afro- -sambas, álbum clássico lançado em 1966 e que uniu Vinicius de Moraes e Baden Powell. “Meu pai [o sambista João Nogueira] era amigo do Baden”, lembra o cantor. “Ele frequentava a nossa casa e é claro que cresci sob uma forte influência do trabalho dele.” No final de 2013, os dois começaram a testar o repertório ao vivo. Gravaram e mixaram o CD no Rio de Janeiro entre janeiro e junho desse ano. Embora os dois tenham agendas individuais bastante atribuladas, eles garantem que isso não vai ser um problema na hora de colocar o Bossa Negra na estrada. “Isso vai ser tranquilo”, garante Nogueira. “O Bossa Negra só nos fortalece.”