Antes do Morcego

Gotham narra as origens dos heróis e vilões que acompanham as HQs do Batman

Pedro Antunes Publicado em 17/10/2014, às 11h18 - Atualizado em 14/11/2014, às 19h00

<b>OS detetives</b><br>
James Gordon (Ben McKenzie) e Harvey Bullock (Donal Logue) sofrem em Gotham.
Divulgação

Ben McKenzie atravessa a porta de um clube privado situado no centro financeiro de Nova York, em Manhattan, em uma daquelas tardes nas quais a metrópole parece se transformar em Gotham City. Naquele dia, é difícil não notar a semelhança da Big Apple com a cidade fictícia onde vive Bruce Wayne, o Batman – um lugar monocromático, cinzento, frio e chuvoso, além de berço de uma enorme lista de supervilões. McKenzie ainda traz o cenho franzido do personagem que estava interpretando minutos antes, o detetive James Gordon, velho conhecido dos fãs dos quadrinhos, filmes e games do Homem-Morcego.

Em Gotham, série exibida no Brasil desde o fim de setembro pelo canal por assinatura Warner Channel, celulares (não smartphones), computadores e máquinas de escrever coexistem. Assim como nas graphic novels de Batman, criadas há 75 anos, que trazem, ao mesmo tempo, um clima noir e tecnológico, o telespectador não consegue distinguir em qual período temporal a série se situa. Por isso, o figurino de McKenzie, de um policial dos anos 1930, não contrasta tanto com o cenário, um edifício construído no fim do século 18. A atemporalidade ali é intencional.

O programa criado por Bruno Heller (The Mentalist, Rome), que também assina a produção executiva ao lado de Danny Cannon (C.S.I., Nikita) e John Stephens (Gilmore Girls, Gossip Girl), é, como o próprio nome indica, sobre a cidade fictícia mais famosa dos quadrinhos. Heller teve a ideia após uma conversa com Geoff Johns, atual diretor criativo da editora DC Comics, detentora dos direitos do Batman. “Pensei: o que aconteceria se James Gordon, conhecido como Comissário da polícia de Gotham, fosse o responsável por investigar o assassinato dos pais de Bruce Wayne, [fato] que o transforma, no futuro, no Batman?”, explica Heller.

Gordon é a figura central nesta trama de origem. “Ele é um personagem icônico. Isso é ótimo”, diz McKenzie. “Gordon tem um grande coração. Mas, às vezes, diante das escolhas, ele pode ser levado a fazer algo que não quer.” O Gordon de Gotham é puro e idealista e se vê diante de uma força policial corrupta e presa a uma rede de criminosos que estão a poucos passos da loucura e, com isso, de se tornarem os vilões conhecidos das HQs. Batman aparece apenas como uma sombra na atuação convincente e feroz de David Mazouz, a versão de 13 anos de Bruce Wayne. E não tem previsão de aparecer no programa, mesmo que o garoto insista em vestir o emblema do herói. “Tragam logo o capuz!”, brinca Mazouz, confiante. “Estou pronto!”