Despertar Tardio

Após 15 anos de ensaios, THE BUNKER BAND grava EP e vence o concurso Rolling Stone RAD

Lucas Brêda Publicado em 16/10/2014, às 17h22 - Atualizado às 17h38

Inspirações
Daniel Gomez (ao centro) não esconde as referências do rock inglês nos arranjos e versos.
Breno Galtier

O primeiro dia de julho deste ano, a the Bunker Band resolveu se movimentar: 15 anos depois de seu surgimento, o grupo disponibilizou na internet as primeiras cinco faixas autorais da banda. O EP, sugestivamente chamado The Story Hasn’t Been Told Yet (“A história ainda não foi contada”), rendeu a grudenta “The End”, canção com a qual o grupo venceu o concurso Rolling Stone RAD, realizado em parceria com a West Coast. “A gente precisava registrar as músicas”, conta o baixista, Fernando Amaral, que entrou na formação em 2011 e foi o principal responsável por tirar os amigos do terraço onde ensaiavam e colocá- -los dentro do estúdio. “Pensei: ‘Vamos ver se conseguimos tocar em algum lugar, mostrar às pessoas nosso som’.”

O EP só teve a bateria gravada em estúdio – os demais instrumentos foram gravados em casa, em processo que durou três anos, com os irmãos Daniel Gomez (voz) e Samuel Oliveira tocando guitarras feitas pelo pai deles, o engenheiro Samuel. “Ele é responsável por tudo”, revela Oliveira, sem conseguir conter as lágrimas. “Certo dia ele pediu uma guitarra ao meu avô, que falou: ‘Só tenho dinheiro para você estudar’. Ele estudou, foi lá, e fez [a própria guitarra]”, narra Gomez, cujo instrumento estampa a bandeira do Reino Unido, berço das maiores inspirações da banda: Beatles e, principalmente, Oasis.

“Uma letra em português, para sair, é um parto”, afirma o vocalista e também principal compositor do grupo. Os versos facilmente decifráveis e os arranjos de apelo pop remetem ao rock britânico, e a relação dos irmãos não poderia ser mais parecida com a de Liam e Noel Gallagher. “Como você não consegue fazer isso?”, resmunga Gomez quando Oliveira se atrapalha em um acorde. A dupla protagoniza pequenas discussões e desentendimentos, tão naturais quanto uma conversa amistosa com outros integrantes do quinteto. “Ralamos por muito tempo fazendo showzinhos e agora, finalmente, estamos sendo vistos”, diz o guitarrista. Preocupado em angariar recursos para a gravação do primeiro álbum completo, Amaral acrescenta: “Na minha cabeça, temos que manter os pés no chão, e continuar trabalhando”. “Não sei se um dia seremos do tamanho do U2, mas disco de graça a gente já lançou”, brinca Gomez.