6 ensinamentos de This Is Pop, série documental da Netflix sobre a história do pop [LISTA]

This Is Pop, da Netflix, traça a trajetória do pop desde os anos 1950 enfatizando por que algumas tendências resistiram ao tempo

Marina Sakai (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 25/07/2021, às 11h00

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This Is Pop, série documental da Netflix (Foto: Divulgação/Netflix)

Boy bands dos anos 1990, Auto-Tune, Suécia e festivais: o que tudo isso têm em comum? Fazem parte, de forma moderadamente relevante, da história da música pop e influenciam artistas com mais destaque. This Is Pop (2021), série documental da Netflix, tentou traçar uma trajetória a partir desses eventos.

Lançada em 22 de junho de 2021, a produção mostra a história do gênero musical de forma interessante e didática, com episódios documentais bem construídos e entrevistas incríveis, de Shania Twain a Benny Andersson, do ABBA, passando até por Hozier. Pensando nisso, separamos seis ensinamentos de This Is Pop.

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O efeito Boyz II Men

Nos anos 1990, as paradas musicais eram muito segregadas. Segundo a jornalista Kelley L. Carter, para um artista se encaixar como pop ou R&B, dependia, principalmente, da cor da pele e do público.

O Boyz II Men, grupo vocal formado por quatro jovens da Filadélfia (EUA), conseguiu borrar essa linha: chegaram ao topo das duas paradas — "One Sweet Day," por exemplo, ficou no primeiro lugar da Billboard Hot 100 por 16 semanas. Faziam entrevistas para ambas as estações de rádio, agradavam a diversos públicos e faixas etárias, além de terem liderado o caminho para futuras boy bands, como 'N Sync, Backstreet Boys e 98 Degrees.

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Quem inventou o Auto-Tune?

O engenheiro elétrico e processador de dados sísmicos Andy Hildebrand foi a um jantar com o distribuidor e a esposa - uma cantora, em 1996. Em uma das conversas, a artista perguntou se ele conseguiria criar uma caixinha a qual fizesse ela cantar de maneira afinada. Quatro meses, algumas equações matemáticas complexas e muita programação, nasceu o Auto-Tune

No começo, o software foi distribuído apenas para produtores musicais, os quais o mantiveram secreto para evitar polêmicas com a crítica especializada e o público. Então, artistas como Cher e Jennifer Lopez começaram a utilizar a ferramenta de maneira exagerada e proposital para dar uma dinâmica diferente às canções e o Auto-Tune oficialmente chegou às paradas.

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Por que a Suécia se tornou o lar do pop?

Em 1974, o primeiro grupo de sucesso vindo da Suécia chegou aos ouvidos do mundo inteiro após a vitória no Festival Eurovision da Canção: uma banda de quatro integrantes chamada ABBA. A partir deles, outros artistas do país começaram a acreditar no potencial de criar boas canções e a produção musical cresceu com Roxette em 1989 e Ace of Base em 1990.

A "fórmula" das músicas suecas — canções memoráveis, viciantes e muito baseadas em melodia — atraíram artistas da capital musical do mundo, os Estados Unidos. "I Want It That Way," dos Backstreet Boys, foi uma das primeiras faixas de sucesso da banda sendo produzida por Denniz Pop, em um estúdio sueco chamado Cheiron.

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Ao invés de tentar exportar estrelas pop, como fez com ABBA, o país criou ótimos produtores e passou a importar artistas estadunidenses para trabalhar na Suécia e depois fazer sucesso mundialmente — foi assim com Céline Dion, 'N Sync, Bon Jovi e com nomes mais recentes, como The Weeknd, P!nk e Taylor Swift, por exemplo. 


O que foi o Britpop?

Em poucas palavras, o Britpop foi uma onda musical e cultural que ocorreu nos anos 1990 no Reino Unido. Durante a época do Nevermind (1991), do Nirvana, a banda britânica Blur tinha dificuldade de compor músicas as quais se comparassem ao grunge. Decidiram, então, fazer algo completamente diferente: pegar a cultura marginalizada da Inglaterra, a qual fora "absorvida" pela estadunidense, e escrever letras baseadas nela.

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Começou um aprimoramento da arte — o Britpop influenciou futebol, política, cinema, a cultura em geral. Herdaram a tradição do pop britânico de David Bowie, Boy George e The Kinks para criar uma música mais brincalhona e descontraída, desaparecida durante alguns anos.

Além do Blur, bandas como Pulp, Suede e The Verve surgiram nesse contexto. O sucesso foi tanto que alguns grupos mudaram de estilo musical e começaram a cantar "sobre o típico chá da tarde inglês" para se encaixar na fórmula de sucesso do Britpop.

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Então, surgiu o Oasis. Liam e Noel Gallagher vieram de Manchester, norte do país, da classe trabalhadora e completamente mal-humorados, muito diferentes do padrão Britpop — apesar disso, foram enquadrados no gênero musical. Quem se identificou com as músicas da banda se apaixonou instantaneamente, e assim começou a rivalidade Oasis X Blur.


O que significa "Wonderwall," do Oasis?

"Wonderwall" se tornou uma das músicas mais conhecidas ao redor do mundo — fez do Oasis uma das únicas bandas a entrar no Top 10 das paradas da Billboard, dos Estados Unidos. No entanto, a letra é um mistério: o que realmente significa a palavra "wonderwall"?

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Noel Gallagher, vocalista e compositor da banda, não sabia como terminar o verso do refrão e deixou a música "marinando" por algum tempo. Um dia, estava ouvindo o disco WonderwallMusic, de George Harrison, lançado em 1968, e alguém lhe perguntou como se chamava. Ao responder, percebeu que a palavra cabia perfeitamente no espaço vago no refrão da canção que se tornaria praticamente um segundo hino nacional da Inglaterra.


O que veio antes do Festival de Woodstock?

O Festival de Woodstock aconteceu em agosto de 1969 e ficou para a história como um marco da música e um dos maiores eventos do rock até os dias de hoje. Baseado na contracultura da década e nos ideais de paz e amor, juntou grandes atrações da época para criar uma experiência inesquecível.

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Muitos não sabem, no entanto, que antes do Woodstock, houve o Human Be-In, em janeiro de 1967, na cidade de São Francisco (EUA). Idealizado pela banda Jefferson Airplane, foi a primeira prova de que concertos ao ar livre funcionavam, a origem dos festivais. Depois, veio o Monterey Pop Festival, conceitualizado pelo grupo vocal The Mamas & the Papas, com performances de Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Who, entre outros.


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