Tsunami no Brasil? Vulcão espanhol entra em alerta de erupção- e o que significa estado amarelo

Segundo pesquisadores, dependendo da erupção do vulcão, um tsunami pode atingir todas as Américas, inclusive o Brasil

Redação Publicado em 16/09/2021, às 12h29 - Atualizado em 18/09/2021, às 13h30

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Vista de cima do Vulcão Cumbre Vieja(Foto: NASA astronaut, Divulgação)

O vulcão Cumbre Vieja, localizado na ilha de La Palma, na costa do continente africano, entrou em alerta amarelo de erupção após autoridades espanholas avaliarem as atividades sísmicas da região — e o Brasil, principalmente o Norte e Nordeste do país, pode ser afetado caso haja uma explosão.

Adormecido há décadas, o vulcão está a 4.462 quilômetros de São Luís, no Maranhão, e deu sinais de atividade moderada nas últimas semanas. Segundo pesquisadores, o Cumbre Vieja tem uma potência capaz de gerar um tsunami que atingiria todas as Américas, inclusive o Brasil.

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Em entrevista ao UOL, o pesquisador do Instituto de Ciências do Mar da UFC (Universidade Federal do Ceará), Carlos Teixeira, explicou que, caso haja a erupção do vulcão, não há certeza que será gerado um tsunami:

"Ele não estava dando sinais de erupção, mas agora ele chegou a um segundo nível. São quatro níveis de alerta. Ele pode vir a ter uma erupção, mas não significa que essa erupção vai gerar um tsunami, mas é uma possibilidade, mesmo que mínima," afirmou.

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Níveis de alerta

A mudança do nível verde para amarelo que ocorreu é um sinal para "uma ação preventiva diante de um risco moderado de atividade," segundo o Metsul. "Quando acionado, a população é orientada para ficar atenta a uma mudança na situação, além de se intensificar a vigilância e monitoramento da atividade vulcânica e sísmica."

A escala também conta com os níveis laranja, no qual "é decretado o alerta máximo para fenômenos que precedem uma erupção iminente," e o vermelho, que confirma uma erupção e anuncia uma emergência.

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Aumento de movimentos sísmicos

Contudo, segundo o site Metsul, a região de La Palma enfrenta um aumento significativo nos movimentos sísmicos que aumenta o alerta para os países.

"Nos últimos dias, além de aumentar o volume de movimentos sísmicos, sua intensidade aumentou com abalos que tiveram magnitude superior a 3. A profundidade dos epicentros também diminuiu, em média, de 30 para 12 quilômetros. Só ontem foram mais de 100 tremores e um teve profundidade de apenas 4 quilômetros."

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Diversos pesquisadores e estudos confirmaram a hipótese de que um tsunami pode ser gerado por uma erupção explosiva do vulcão. Uma pesquisa feita na UFPR pelo geólogo Mauro Gustavo Resse Filho explicou que a erupção pode causar um deslocamento de massa:

“Este movimento, por sua vez poderá ser capaz de gerar um tsunami que percorrerá distâncias transatlânticas e atingirá praticamente todos os países banhados pelo oceano Atlântico. A partir da modelagem de tal evento, obteve-se a informação que toda a costa brasileira será afetada,” afirma o pesquisador.

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Níveis baixos de tsunami

Segundo informa o site GZH Ambiente, especialista em fenômenos climáticos, o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), Marcelo Assumpção, diz que as chances de um tsunami acontecer no Brasil são baixas. Para tal, a atividade vulcânica teria de ser excepcional para derrubar uma parte da ilha e provocar um deslizamento gigantesco em direção ao mar.

O coordenador do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Anderson Nascimento, também reforçou que a probabilidade de um tsunami atingir terras brasileiras é pequena. 

"A atividade vulcânica na região das Canárias é comum e monitorada. Na região do Atlântico, não existe nenhum sistema alerta de tsunami porque o risco é baixíssimo para isso ocorrer – disse Anderson.  "A probabilidade é muito pequena porque para emitir um alerta de tsunami é preciso saber qual foi o terremoto e qual tipo de fenômeno o provocou para poder calcular como o tsunami vai se propagar. Tão importante quanto isso, é saber como essas ondas, de um eventual tsunami, vão chegar às costas dos países."

"No caso do Brasil, esse risco é muito pequeno," afirmou o sismólogo. 

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