MAIS DO MESMO A cantora tropeça na interpretação e no repertório
MARCOS HERMES/DIVULGAÇÃO

Mais Uma Vez ao Vivo

Guias / CDs - Redação Publicado em 10/07/2009, às 14h26 - Atualizado em 15/07/2009, às 13h05

Rita Lee

Multishow ao Vivo

Biscoito Fino

Com poucas novidades, rainha do rock navega pelas canções de sempre

Rita lee parece ter perdido sua última centelha criativa em algum ponto entre os discos Rita e Roberto (1985) e Flerte Fatal (1987). Desde então, ela se mantém presente por conta de compilações e álbuns ao vivo ou por aberrações como Aqui, Ali em Qualquer lugar, trabalho de 1998 em que ela assassinou canções dos Beatles em arranjos bossa-novísticos de churrascaria. Este registro gravado no Vivo Rio, que também sai em DVD, mostra alguns motivos dessa decadência e o principal é a falta de voz da cantora. Se em estúdio há todo um arsenal de recursos para encorpá-la, no palco o jeito é colocar duas vocalistas de apoio para todas as canções. As guitarras familiares de Beto Lee e do maridão, Roberto de Carvalho, proporcionam aquela abordagem datada do rock, estacionada no lado mais careta dos anos 70, e a produção (também a cargo de Roberto) confere um tom asséptico e desprovido de qualquer alma ao show que Rita se esforça para dar. Quando revisita alguns clássicos de sua carreira, como “Ovelha Negra” e “Flagra”, notamos o quanto as versões originais são superiores. Quando canta inéditas, como “Insônia” ou “Se Manca”, percebemos o quanto os velhos hits são melhores. A presença de “O Bode e a Cabra” só torna tudo mais constrangedor, uma vez que se trata de uma versão infeliz de “I Wanna Hold Your Hand”, que não funciona sob nenhuma circunstância.

POR CARLOS EDUARDO LIMA

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