A trupe de Brandon Flowers tenta agradar a gregos e troianos
ERIK WEISS/DIVULGAÇÃO

Momento de Transição

Guias / CDs - Redação Publicado em 11/12/2008, às 19h41

The Killers

Day & Age

Island/Universal

Momento de Transição

Banda de Las Vegas dividida entre canções dançantes e clima anos 80

Empenhado em sua obsessão de ser o novo Freddie Mercury e tornar o Killers o Queen do século 21, Brandon Flowers, líder e maestro sonoro do The Killers, encheu o segundo álbum, Sam’s Town, de acordes pomposos cheios de teclados charmosos. O resultado foi um álbum que crescia aos poucos e sugeria uma transição para a banda que o Killers poderia ser. Day & Age, o sucessor, joga toda a teoria abaixo. Cheio de canções arrastadas, peca por uma irregularidade irritante. A sonoridade é totalmente diferente, apostando como nunca nos clichês e timbres dos anos 80. É um disco quase sem riffs, característica sempre marcante no quarteto. Os teclados, ainda bastante presentes, ao invés de reforçarem a pungência das músicas, apenas servem de cama para melodias menos inspiradas. "Goodnight, Travel Well" dá enjôos com seu clima fúnebre; "Joy Ride" é uma tentativa fraca de soar como o Talking Heads com um pouco de suingue; "Human", o single, lembra música de academia barata. No final, se salvam "A Dustland Fairytale", que poderia estar em Sam’s Town e "Spaceman", que une o lado dançante do primeiro disco e a pretensa grandiosidade do segundo. Como boa parte das bandas de sua geração, o Killers está se tornando meramente uma banda de singles.

Tiago Agostini

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