Them Crooked Vultures

Novo supergrupo não é incrível, mas também não é nada ruim

Guias / CDs - Redação Publicado em 08/12/2009, às 16h59 - Atualizado às 16h59

Them Crooked Vultures

Them Crooked Vultures

Sony Music

Maldita expectativa. Não havia como não esperar uma superbanda da união do lendário baixista John Paul Jones, um dos arquitetos do Led Zeppelin, Josh Homme, o dono do Queens of the Stone Age, e Dave Grohl, o dono do Foo Fighters (aqui, na bateria). Ainda mais sabendo que Homme e Grohl, dois dos músicos roqueiros contemporâneos mais criativos, estão juntos (com Nick Oliveri e Mark Lanegan, é verdade) em um dos melhores discos de rock da década (Songs for the Deaf, do QOTSA). Them Crooked Vultures soam honestíssimos, mas não incríveis. E é aí que a expectativa pode derrubar um trabalho sério. A voz de Homme nunca foi melhor, e as melodias ora pop, ora tortas de “Mind Eraser, No Chaser” e “Warsaw or the First Breath You Take After You Give Up” provam isso. Mas “No One Loves Me, Neither Do I” e “Dead End Friends” parecem sobras de discos do QOTSA, sem o brilho químico que embala aquela banda. Já “Elephants” soa como Led e isso jamais pode ser desconsiderado. “Reptile” é o ponto alto, com hipnose psicótica sonora seguida de belo refrão. Esperava-se que este fosse um álbum histórico, nascido para cravar o nome desta banda na Pedra Sagrada do rock ’n’ roll, mas não o é. E isso, não fosse, novamente, a expectativa criada, não seria um problema. Há muitos discos bons que não são ótimos e a gente gosta assim mesmo. Da minha parte, prometo menos expectativas daqui em diante. Da parte de todos esses jovens músicos cheios de talento e projetos paralelos, talvez seja hora de eles se dedicarem exclusivamente às bandas que os alçaram à posição de super, digo, grandes figuras do rock.

RICARDO FRANCA CRUZ

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