Kassin
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Relax

Kassin

Guias / CDs - José Flávio Júnior Publicado em 19/04/2018, às 01h09 - Atualizado às 01h10

Há mais de duas décadas, Kamal Kassin deixa Pegadas na música pop brasileira. A estreia do Acabou la Tequila, banda que o projetou no cenário independente, data de 1996. Ou seja, já houve tempo o suficiente para nos acostumarmos com seus caminhos estéticos – sempre plurais, algo que ele aprendeu em casa, com o irmão mais velho discotecário. Em Relax, sua mente multifacetada volta a encantar e confundir. A distância para o antecessor, Sonhando Devagar, de 2011, não quer dizer muita coisa. No novo disco, o produtor, baixista e cantor de voz peculiar repete colaboradores, chamando até mesmo o recém-falecido Carlos Eduardo Miranda para novamente definir a ordem das faixas. E a missão de encadear disco-funk, bossa nova, power pop, bolero, jovem guarda e samba torto, entre outros gêneros abordados, não é das mais prosaicas.

Mas a verdade é que o ouvinte afeito à amplitude do trabalho de Kassin achará a própria trilha sozinho. Quem prefere a faceta mais absurda do músico carioca vai entrar no clima de pilantragem de “Digerido”, música que narra um processo de canibalismo, com a carne morta sendo mastigada e depois se despedindo das outras comidas no estômago na hora da evacuação. “Sua Sugestão” mantém a pegada sessentista, porém em rotação roqueira, e falando de micróbios e átomos que conspiram todo dia para algo dar errado. Já “O Anestesista”, uma “math bossa” lançada primeiramente em um disco em parceria com a banda polonesa Mitch & Mitch, clama por um anestesista particular para dar um pouco de gás nos momentos mais difíceis da vida.

Além de pintar quadros surrealistas, Kassin se preocupa em povoar a pista de dança com versos singelos. A faixa-título é o melhor exemplo disso, basicamente um tributo à dupla de produtores Robson Jorge e Lincoln Olivetti. “Momento de Clareza” é outra pérola funk com jeito de virada dos anos 1970 para os 1980. E, para garantir o sucesso da festinha retrô, Hyldon surge ao lado da banda portuguesa Orelha Negra para a releitura de “Estrada Errada”, que o soulman lançou em 1976.

Com um cardápio tão farto, o dueto com Clarice Falcão na versão de “Coisinha Estúpida” fica parecendo aquele acompanhamento que não precisava ter sido pedido. Mas, com Kassin, toda refeição tem cara de banquete. É fazer o prato com o que mais apetecer e, depois da comilança ogra, dar aquela relaxada.

Fonte: Lab 344

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