Documentário flagra o cantor em turnê mundial
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Coração Vagabundo - Caetano Veloso

Guias / DVDs - Redação Publicado em 09/12/2009, às 18h19 - Atualizado às 18h19

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Logo na primeira cena de Coração Vagabundo, a intenção do filme é declarada: o diretor Fernando Grostein Andrade e sua câmera flagram Caetano Veloso completamente nu. É uma boa metáfora para o resto do trabalho. Nele, o cantor é flagrado de uma forma desconcertante para um astro de seu tamanho – desarmado, inseguro e sincero. É um lado diferente do Caetano com o qual estamos acostumados, cheio de certezas e questionamentos (o presidente Lula que o diga...). As gravações foram feitas na época do disco A Foreign Sound (2004), o disco de standards norte-americanos do baiano (o único show registrado desse álbum, realizado no Baretto, em São Paulo, foi incluído como bônus desta edição em DVD). Foram meses especialmente conturbados, nos quais o músico e sua então esposa (e ainda empresária) Paula Lavigne estavam se separando. Talvez daí venha o tom reflexivo de Caetano no longa-metragem, falando candidamente sobre onde gostaria de ser enterrado e decepcionando-se com a própria performance no talk show de Charlie Rose, em Nova York. Imperdível para fãs, revelador para interessados em música.

Entrevista – Fernando Grostein Andrade

Quantas horas de material você gravou para o filme?

Foram 57 horas de material, que eu fiquei montando ao longo de dois anos, com quase 80 cortes [jargão do cinema para versões da montagem].

Por que demorou tanto?

Porque não foi um filme planejado, ele teve um outro timing para roteirização e coisas assim. Ele amadureceu mais depois, não antes.

Não foi difícil fazer um f ilme imparcial sobre o Caetano tendo a ex-mulher e atual empresária dele como produtora?

A Paula não interferiu no processo criativo, e teve uma coragem muito grande. Eu jamais deixaria alguém me colocar, de pijama e assoando o nariz, em um filme. O filme tem essa proximidade com eles [o casal] em um ano em que, não é segredo para ninguém, eles estavam se separando. É um gesto de coragem gigante, que desmente qualquer acusação de que o filme seja “chapa branca”. A única coisa que a Paula quis mudar no filme, pensando melhor, foi a cena em que o [diretor espanhol Pedro] Almodóvar a elogia. Eu bati o pé e disse que achava relevante.

Por Paulo Terron

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