Riacho Doce

Guias / DVDs - Redação Publicado em 12/10/2007, às 12h16 - Atualizado às 13h39

"Quando os longos dias de luz criam no mar rendas mais brancas, cores mais vivas, meio-dia sem fim, é verão. Quando os corpos ganham beleza e a morenice se espalha pelas praias, é verão. É verão no país do Sol. E é preciso contar histórias que lembrem que o verão não é castigo dos céus, mas dádiva da natureza. Fertilidade, alegria, prazer. O Brasil é verão. Vocês verão histórias gostosas como frutas que só o verão sabe amadurecer. Verão histórias de um doce riacho, embalando os sonhos nas redes, pescando coragem, fisgando paixões. O verão de Riacho Doce...". Com esse prólogo - inspiradíssimo - dito pelo ator Paulo José, uma espécie de ode aos sentimentos de verão, iniciava (na primavera de outubro de 1990) uma das quentes minisséries da TV Globo que agora é lançada em DVD (no outono / inverno de 2007). Baseada no romance homônimo do escritor José Lins do Rego (publicado em 1939) e escrita por Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn, Riacho Doce centra seu enredo nas histórias que acontecem em uma vila do Nordeste que tem seu cotidiano abalado pela chegada de Eduarda (Vera Fischer) e Carlos (Herson Capri). Ela, que vem da Suécia e é uma amante do Sol - a personagem até desmaia em uma cena em que vislumbra o astro-rei -, se encanta pelo vilarejo e se apaixona pelo galã-pescador Nô (Carlos Alberto Riccelli). Mas ele, que desperta todos os amores femininos da localidade, tem o corpo fechado pela sua Vó Manuela (Fernanda Montenegro), uma espécie de líder-espiritual-que-mete-muito-medo. O amor proibido entre a gringa, mais conhecida como a "Galega", e o nativo é o estopim para 16 horas e 59 minutos de visões paradisíacas (externas foram feitas no arquipélago de Fernando de Noronha - os extras trazem algumas curiosidades das filmagens), imagens subaquáticas e aquele bater de coxas das cenas mais arretadas. Riacho Doce, o livro e a série, tem a genialidade de lidar com diversos mundos - o dos colonizadores e o dos colonizados, a realidade supersticiosa de algumas comunidades, a sexualidade flagrante ao Brasil -, brinca com requintes de bruxaria e está também ligada ao vai-e-vem do mar e seus humores.

Por Ademir Correa

Série de TV

Globo Marcas e Som Livre

01

06

2007

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