A Bolha

Guias / Filmes - Redação Publicado em 12/10/2007, às 16h03

Por uma vida além da guerra

O título não podia ser mais apropriado para sintetizar o anseio de jovens por uma vida normal em Tel Aviv. Dirigido por Eytan Fox, judeu norte-americano, assumidamente gay, que cresceu em Israel, o filme se propõe a discutir uma série de conflitos complexos: o amor entre um israelense e um palestino, a questão da homossexualidade no mundo árabe essencialmente machista, a guerra santa entre árabes e judeus e a angústia de jovens que vivem em meio a tudo isso. Temas pesados que o diretor tenta abordar de uma forma leve, estilo seriado americano, e que acabam deixando na superficialidade várias questões dos dois lados da fronteira. O tom escolhido faz com que as cenas de maior dramaticidade, na maioria das vezes, fiquem mal-resolvidas, perdendo a força dentro da estética proposta. Mas o interessante é que essa superficialidade que causa certo estranhamento a princípio coincide com o desespero quase alienado dos personagens por uma vida além da guerra. O filme conta a história de três amigos, Yali (Alon Freidmann), Lulu (Daniella Wircer) e Noam (Ohad Knoller), que dividem um apartamento em Tel Aviv. O conflito começa quando Noam se apaixona por um palestino, Ashraf (Yousef Sweid), que conhece no posto de fiscalização. A partir daí, seus amigos resolvem ajudar Ashraf, que permanece ilegalmente em Israel, enquanto organizam uma rave pela coexistência pacífica. Apesar das circunstâncias extremas, os personagens se esforçam por viver dentro de uma bolha de normalidade, tomam extasy, ouvem Britney Spears e assistem a Sex and the City. O diretor parece fazer questão de mostrar esse outro lado de Israel e o faz algumas vezes de forma quase didática. É o retrato de uma geração que sonha e acredita num futuro pacífico, mas ao mesmo tempo não sabe como, ou não quer, se envolver numa luta política mais engajada. Premiado no Festival de Berlim 2007, o filme vale pela reflexão que levanta: "Será realmente possível viver numa bolha?" No final, a bolha explode, não deixando margem a dúvidas.

Por Daniela de Lamare

Alon Freidmann, Daniella Wircer, Ohad Knoller

Eytan Fox

12

08

2007

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