Drama político conecta os tempos da ditadura com a realidade brasileira.

Jogo das Decapitações

Dirigido por Sergio Bianchi

Guias / Filmes - Christian Petermann Publicado em 16/06/2014, às 15h24 - Atualizado às 15h33

Depois do íntimo e sutil Os inquilinos o cineasta Sergio Bianchi volta a cuspir e vomitar na tela todo seu inconformismo sociopolítico, cujo auge em discurso se deu no premiado Cronicamente Inviável. É sintomático o novo filme ser lançado no aniversário de 1 ano das manifestações de junho, pois a estreia, no Festival do Rio, se deu justamente durante violentos confrontos da polícia com professores, em setembro passado. A trama em dois tempos referencia os 50 anos da ditadura militar e as pessoas que desapareceram nela. O filme registra um cinismo em relação ao ranço ideológico dos sobreviventes e também registra a atual insatisfação coletiva com a inoperância e fissura do sistema político. Bianchi funciona como antena que capta o estado de espírito dominante durante cada processo de filmagem. Ele encena sequências de força inquietante. A apreensão dramática dá lugar a caricaturas. A obra ganha insuspeita poesia, contudo, com o “filme dentro do filme” que lhe dá título, um resgate da ingenuidade e transgressão do movimento artístico e estudantil à época da repressão. Jogo das Decapitações é Bianchi dialogando com o próprio passado.

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