A vida na estrada em O Sol do Meio Dia
Divulgação

O Sol do Meio Dia

Guias / Filmes - Redação Publicado em 14/10/2010, às 20h23 - Atualizado às 20h24

Eliane Caffé

Claudia Assunção, Chico Diaz, Ary Fountoura

Uma viagem sem destino de dois esquecidos pela sociedade

A primeira fala em O Sol do Meio Dia acontece após alguns minutos de filme. Aqui o silêncio não só é uma opção estética da diretora mas também do protagonista que acompanha a jornada de Artur e Matuim pelas terras abandonadas do Pará. Eles se cruzam por acaso por motivos bem diferentes: o primeiro segue numa busca introspectiva da redenção pelo assassinato de sua mulher. O outro foge de cobradores de dívidas, pois não tem nenhum bem exceto uma embarcação velha e uma peruca. Esse antagonismo de comportamento é colocado em questão o tempo todo. A diretora Eliane explora a procura pela paz interior e pelo prazer imediato na mesma proporção. Sem maiores perspectivas, eles alimentam uma relação ambígua e simbiótica de estranhamento e aproximação. A leveza poética com que a câmera segue o percurso tragicômico e conduz essa mistura de fuga e encontro é o ponto forte do filme, que evita acelerar o ritmo e trazer definições fáceis para o entendimento de personalidades simples, mas ricas e complexas.

Érico Fuks

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