Waly Salomão afirmava que, para viver, você precisa de mentiras
Divulgação

Pan-Cinema Permanente

Guias / Filmes - Redação Publicado em 10/11/2008, às 19h56

Escrito e dirigido por Carlos Nader

Documentário

Waly Salomão interpreta todas as versões de si mesmo para a tela grande

Eleito o preferido entre os longametragens da 13ª edição do Festival de Documentários É Tudo Verdade, Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader, é tudo, menos verdade. O diretor acompanhou Waly Salomão para cima, para baixo, para dentro e para o céu nos últimos 15 anos, filmando o diretor artístico, produtor cultural e, sobretudo, poeta, em declamações públicas, banhos de rio, viagens internacionais e longas conversas com a vida. Os depoimentos da família e de amigos como Regina Casé, Caetano Veloso e Antônio Cícero costuram a história, dando a dimensão de uma alma que defendia a poesia como primeira religião da humanidade. Mas, apesar da verborragia, da trilha e da proximidade entre cineasta e personagem, Waly mostrou apenas o que quis – porque estava sempre a postos quando a câmera era ligada, inflava o peito, empostava a voz, perambulava desassossegado diante dos olhos eletrônicos, interpretando a si mesmo para quem quisesse ver. Porque, segundo ele mesmo, para viver, você só precisa de mentiras. Isso deve ser verdade.

Cristiane Lisbôa

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