Possuídos

Possuídos

Guias / Filmes - Redação Publicado em 12/10/2007, às 14h22

Mundo de inseto

Com a adaptação de um sucesso off-Broadway nas mãos, William Friedkin (diretor de O Exorcista, obra-prima de 1973) resolveu filmar Possuídos, um possível suspense psicológico que lida com a claustrofobia, a solidão e a paranóia. O filme centra sua narrativa na vida de Agnes (Ashley Judd), uma garçonete que mora em um hotel de beira de estrada e convive com a perda do filho e a lembrança de uma relação violenta que manteve com o ex-marido. Para resolver a solidão, ela libertou-se pelos caminhos da cocaína e agora curte experiências lésbicas. Em uma noitada caseira com uma amiga, a desesperançosa protagonista conhece Peter (Michael Shannon), um pacato rapaz que está pronto para viver um romance. Mas ele é, na verdade, um nervoso veterano de guerra que, após uma noite de sexo tórrido, é picado por um afídeo - tipo de inseto que pode ter sido implantado em seu corpo para uma experiência de controle da mente. A partir dessa inclusão da praga invisível, as cenas desandam por um caminho de autoflagelo, isolamento e mania de perseguição. As interpretações assustadas e caricatas (os personagens têm sua origem na dramaturgia feita para o teatro) só contribuem para que a história passe da loucura cerebral para a mais simples e risível piração. O medo é pungente, a violência é explícita, mas faltam climas, sobram devaneios - impossível não estranhar o cenário que ganha ares de ficção científica amadora quando a dupla resolve encapar tudo com papel laminado. A história tem potencial para suspense, mas vira comédia, ou "terrir", com antagonistas que tentam ajudar, gospem informações desencontradas e saem escorraçados, fugidos ou mortos. Em um primeiro momento, parece uma adaptação infame de algum livro bem escrito de Stephen King. Mas nem essa referência de bom terror salva esta resenha de anunciar a desgraça.

Por Ademir Correa

Ashley Judd, Michael Shannon, Harry Connick Jr.

William Friedkin

12

08

2007

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