<b>Pela América</b><br>
Spivet (Kyle Catlett) em plena aventura.
Divulgação

Uma Viagem Extraordinária

Jean-Pierre Jeunet

Guias / Filmes - Hamilton Rosa Jr. Publicado em 24/11/2014, às 14h32 - Atualizado às 15h31

Essa viagem tem o senso hipnótico de uma fábula, com um herói mirim constantemente flertando com o fracasso. Passa-se nos Estados Unidos, mas o francês Jeunet (de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) faz aqui sua própria América através dos sets e da arte computadorizada. Ele e Guillaume Laurant, com quem adaptou o livro O Mundo Explicado por T.S. Spivet, de Reif Larsen, contam a história do garoto T.S. Spivet (Kyle Catlett), superdotado e apaixonado por ciência, que inventa a máquina do movimento perpétuo. A obra lhe rende um prêmio de prestígio e, sem dizer uma palavra à família, ele parte em uma viagem para atravessar os Estados Unidos – a bordo de um trem de carga – para receber a láurea. Os personagens, sobretudo o garoto, têm a vitalidade pura de estrelas do cinema mudo; ele corre pela América como um duende, fazendo piadas e acrobacias elaboradas e tentando levantar o mundo das pessoas apáticas que encontra. No clímax, o filme muda para uma ruminação sobre as perdas e os perigos de ser tão animado, mas Jeunet evita o piegas de forma hábil. O filme funciona como uma alegoria sobre a propensão do homem de viver cada vez mais em um mundo em terceira pessoa. O diretor põe um espelho na frente da plateia e nos convida a olhar para nós mesmos.

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