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Mustaine, engradado

Mustaine

Dave Mustaine

Guias / Livros - Pablo Miyazawa Publicado em 09/08/2013, às 11h39 - Atualizado às 11h41

Dois ídolos do metal relembram as glórias e os vexames

Tony Iommi e Dave Mustaine são tão parecidos quanto dois lendários guitarristas de heavy metal conseguiriam ser. Ambos dividirão palco na turnê brasileira do Black Sabbath em outubro (com abertura do Megadeth); ambos são notórios pela personalidade irascível e controladora, pela dependência de drogas pesadas e pelo talento singular com o instrumento. As duas histórias de vida e carreira foram retratadas em biografias que saem no Brasil com um par de anos de atraso.

Como relato confessional, Mustaine – Memórias do Heavy Metal é uma bela surpresa, mesmo para aqueles que celebram a obra do artista tanto quanto não engolem a personalidade defeituosa do homem público. Como é de se esperar, Mustaine é tão ácido quanto cândido, soltando mea culpas frequentes enquanto espezinha aqueles que o prejudicaram. O livro já valeria pelo sensacional capítulo destinado à curta passagem dele pelo Metallica, que resultou em uma demissão humilhante e deixou cicatrizes emocionais que só foram curadas à base de porres, cargas cavalares de drogas pesadas, reabilitações e, por fim, uma epifania religiosa. Mustaine expõe fraquezas e se desculpa pelos infinitos tropeços, mas não desce do pedestal, o que resulta em um relato tragicômico e saboroso.

Com sinceridade parecida (mas menos apelo emocional), Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath traz uma narrativa mais sóbria, ainda que divertida. O artesão do metal remonta as origens de sua banda, do auge à decadência, detalha o acidente que lhe custou os dedos e também gasta mais tempo relembrando abusos com drogas do que o processo de composição dos álbuns – a memória de Iommi é nebulosa e ele se mostra impaciente para resgatar detalhes (a versão nacional do livro traz a informação equivocada de que o pai do guitarrista teria nascido no Brasil, o que deverá ser corrigido na próxima edição). A narrativa se encerra em 2011, antes do diagnóstico do linfoma e do triunfal retorno do Sabbath, o que dá a sensação de obra incompleta. Assim mesmo, é um documento histórico que merece a apreciação.

Fonte: Benvirá

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