Um adorável imitador
Gabriel García Márquez

Um adorável imitador

Guias / Livros - Redação Publicado em 11/10/2007, às 17h41 - Atualizado em 12/10/2007, às 15h52

Textos jornalísticos de Gabriel García Márquez drenam poesia da inóspita América Latina.

A realidade escreve melhor que os escritores da América Latina e do Caribe, admite em crônica Gabriel García Márquez , um dos maiores. Ele considera uma glória que um escritor consiga imitar essa realidade com humildade e da melhor maneira possível.Na ficção, ele deu conta do recado de maneira magistral, e no jornalismo vem tentando jogar suas luzes poderosas nessa mesma realidade, que de tão fantástica virou epíteto para a ficção que ele, e toda uma geração de escritores latino-americanos, produziu. Seu jornalismo caudaloso pode ser conhecido e reconhecido em fartíssima dose nos cinco volumes publicados agora pela editora Record. Conhece-se nesse manancial de palavras escritas entre 1948 e 1984 todas as fases e gostos do escritor que botou a Colômbia no mapa-múndi literário. Conhece-se o jovem que batia pernas pela Europa escrevendo para pagar as contas e o escritor consagrado que continuava a escrever para nunca mais ter contas a pagar.Percebe-se a condescendência com a qual ele trata os deslizes do regime cubano e a dureza com que trata os tiranos em geral. Percebe-se sempre por trás do talento a chama da indignação. Para fazer aqui uma homenagem ao universo de David Linch em Twin Peaks, podemos dizer que Gabriel García Márquez é o caso clássico de "o fogo caminha comigo". Fogo e quentura latinos, no entanto, não o transformam num incendiário. O incêndio se faz notar mais na sua prosa lírica, incendiada de poesia, exatamente quando esquece as amarras do jornalismo e solta a imaginação.

Por Ricarod Soares

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