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A trairagem da gravadora que poderia ter acabado com o Linkin Park

De acordo com Mike Shinoda, executivos tentaram ludibriar Chester Bennington para dispensar colegas de banda e formar projeto solo antes mesmo de primeiro disco sair

Por Igor Miranda (@igormirandasite) Publicado em 13/04/2023, às 11h24

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Imagem A trairagem da gravadora que poderia ter acabado com o Linkin Park

Desde que se estabeleceu com este nome, em 1999, o Linkin Park praticamente não passou por mudanças de formação. O baixista Dave “Phoenix” Farrell ficou fora entre 1999 e 2000, mas de resto o grupo se manteve unido até a morte do vocalista Chester Bennington, em 2017.

A amizade era, realmente, forte. Caso contrário, o projeto poderia ter se apresentado ao mundo de forma bem diferente.

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Quem diz isso é o covocalista e multi-instrumentista Mike Shinoda, em entrevista ao Apple Music 1 (via Revolver Magazine). O artista revelou que executivos da gravadora da banda, Warner Music, tentaram um movimento bem traíra por trás dele para que o grupo seguisse tendo apenas Bennington no microfone principal, transformando tudo em uma espécie de projeto solo dele.

A situação, claro, se deu antes do Linkin Park atingir o estrelato logo com seu primeiro álbum, Hybrid Theory (2000). Ninguém imaginava que o grupo venderia tantos discos e faria shows tão lotados logo de cara, então, havia certo receio com a sonoridade ali apresentada.

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Inicialmente, os executivos abordaram a banda como um todo, tentando mudar sua sonoridade. Shinoda relembra:

“Houve um questionamento da gravadora tipo: ‘bem, o cantor é tão bom’. A certa altura, eles continuaram tentando se intrometer em nosso processo criativo e mudar o DNA da banda. E a certa altura, houve uma sugestão: ‘bem, talvez você apenas faça o vocalista principal [Chester] cantar, sem nenhum rap [de Mike], o que para todos nós foi uma sugestão ofensiva.”

Ataque pelas costas

Como os integrantes do Linkin Park não quiseram mudar a sonoridade — calcada em dois vocalistas e a mistura entre rock, hip hop e música eletrônica —, os engravatados da gravadora tentaram agir em torno de Chester Bennington. A ideia era fazê-lo desistir de estar na banda e trabalhar o contrato recém-assinado como um projeto solo, que traria mais holofotes para ele.

Se o cantor não tivesse caráter e não fosse amigo dos demais integrantes, talvez isso poderia ter acontecido. Felizmente, Bennington manteve sua integridade, como destaca Mike Shinoda:

“Eles foram diretamente em Chester e falaram tipo: ‘Vamos construir uma coisa nova ao seu redor. Você é a estrela, deve ser tudo em torno de você. Não precisamos desses outros caras’. Daí Chester nos chamou de lado, e disse: ‘Ei, vocês precisam saber, eles fizeram isso comigo hoje. Eles disseram essas coisas para mim’. E ele contou toda a conversa. E todos nós ficamos tipo: ‘P#ta m#rda’. Na minha cabeça, eu penso: ‘Oh, cara. Este é o começo do fim’. Certo? Porque eles estão certos, ele é incrível e precisamos dele. Não sei se ele precisa de nós. Mas no fim, ele só mandou os caras irem se f#der. Ele nos apoiava e ele tinha o nosso apoio. Um por todos, todos por um.”

Dave Farrell, que também participava da entrevista, destacou como o falecido amigo confiava no sucesso do Linkin Park:

“Chester estava a bordo, acima de tudo, talvez até liderando o ataque: ‘vamos fazer do nosso jeito ou não vamos fazer nada’. Ele foi um campeão nisso de muitas maneiras.”

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