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Música / Rock

Como o Extreme quase perdeu seu hit “More Than Words”, segundo Nuno Bettencourt

Se dependesse da gravadora, banda teria dispensado música que se tornou de longe a sua obra mais conhecida

Nuno Bettencourt (Foto: Getty Images)
Nuno Bettencourt (Foto: Getty Images)

São diversos os relatos de artistas e bandas que, por uma razão ou outra, quase dispensaram músicas que se tornaram seus maiores sucessos. Aconteceu com o Extreme, que chegou a ser desencorajado de lançar a power ballad “More Than Words”.

Lançada como terceiro single do álbum Extreme II: Pornograffitti (1990), a canção acústica guiada apenas pelas vozes de Gary Cherone e Nuno Bettencourt e pelo violão do segundo mencionado atingiu o primeiro lugar das paradas de cinco países, incluindo Estados Unidos e Canadá, e o top 10 de vários outros, a exemplo de Reino Unido, França e Alemanha. Hoje é, de longe, a faixa mais ouvida do grupo nas plataformas de streaming — só no Spotify, acumula 573 milhões de streams, enquanto a segunda mais tocada da banda por lá, “Hole Hearted”, não chega a 20 milhões.

Em entrevista ao Noise11 (via Ultimate Guitar), Bettencourt admitiu que o Extreme estava, acima de tudo, receoso com experimentos mais pop. O grupo havia conquistado alguma notoriedade por conta de sua sonoridade que fundia hard rock, funk americano e elementos neoclássicos. Tinha peso, mas também groove e referências a música erudita, tudo no mesmo caldeirão e embalado num visual de cabelos imensos e roupas chamativas, como a época pedia.

Para piorar a situação, a gravadora A&M também não estava convicta de que “More Than Words” poderia fazer sucesso. Nuno apontou que que trabalhos acústicos ainda não haviam se tornado o fenômeno de popularidade que se transformariam especialmente a partir de 1992, quando a MTV profissionalizou ainda mais o seu quadro Unplugged (criado em 1989) e Eric Clapton lançou seu disco homônimo à série — que vendeu 26 milhões de cópias no mundo todo e transformou-se no álbum ao vivo mais comercializado da história.

“‘More Than Words’ surgiu muito antes do sucesso MTV Unplugged. Ninguém sabia o que fazer com aquela música. A gravadora não sabia o que fazer. Eles não achavam que renderia um single. Pensavam: ‘onde é que vamos arrumar um lugar para tocar isso?’.”

Ímpeto experimental

Apesar disso, o Extreme até que gostava de se enfiar em situações inusitadas. Nuno Bettencourt contou que ele e o vocalista Gary Cherone preferiam remar contra a maré, artisticamente falando.

“Gary e eu sempre pensamos: olha, vamos correr para o prédio em chamas enquanto todo mundo está indo para o outro lado. Por que não mudar o caminho das coisas um pouco? Como todas as bandas que crescemos ouvindo fizeram.”

Na sequência, o guitarrista mencionou alguns de seus grupos favoritos — e todos eles gostavam de fazer experimentos.

“Até mesmo o Led Zeppelin fez isso com Led Zeppelin III (1970), e eles acabaram curtindo aquele álbum acústico. O Queen sempre mudava sua rota. Às vezes rolava até com o Van Halen, quando fizeram músicas como ‘Could This Be Magic?’ e ‘Ice Cream Man’. Você ouvia e dizia: ‘o quê?’. Mas acabava percebendo que era muito legal e divertido.”

Na visão de Bettencourt, é importante que cada artista seja quem é. Não se trata apenas de ser “variado”, já que, segundo ele, há bandas como o AC/DC que não mudam sua sonoridade e mesmo assim soam incríveis. É uma questão mais de espontaneidade.

Inspiração no Queen

Em outro momento da entrevista, Nuno Bettencourt exaltou como o Queen influenciou e até hoje inspira o Extreme. A relação entre as duas bandas é conhecida do público, especialmente por conta da participação de Bettencourt e seus colegas no evento em tributo a Freddie Mercury, no ano de 1992.

“Geralmente não soamos muito como o Queen, até temos alguma influência deles, mas definitivamente adotamos a filosofia deles de: ‘faça o que quiser fazer’. Com a gente, as melhores músicas sempre vencem, independente de como soam.”