Elza Soares: De origem humilde a Voz do Milênio, relembre cantora brasileira essencial do samba

Cantora Elza Soares morreu nesta quinta, 20, aos 91 anos e deixou um legado na música brasileira, com mais de 30 discos

Redação Publicado em 20/01/2022, às 18h22

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Elza Soares no desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel no Rio de Janeiro em 2020 (Foto: Bruna Prado/Getty Images)

Elza Soares, cantora e compositora brasileira, faleceu nesta quinta, 20 de janeiro, aos 91 anos. De acordo com assessoria da artista, Soares morreu de causas naturais. "É com muita tristeza e pesar que informamos o falecimento da cantora e compositora Elza Soares, aos 91 anos, às 15 horas e 45 minutos em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais," dizia o comunicado (via G1).

 
 
 
 
 
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Em publicação no Instagram, a equipe da cantora escreveu: "Ícone da música brasileira, considerada uma das maiores artistas do mundo, a cantora eleita como a Voz do Milênio teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação. A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo. Feita a vontade de Elza Soares, ela cantou até o fim"

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Trajetória na música

De origem humilde, Soares nasceu na favela da Moça Bonita – atualmente Vila Vintém –, no bairro de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Com dez irmãos, teve uma infância pobre, porém feliz. No entanto, casou e se tornou mãe ainda na adolescência. Desde criança tinha o sonho de ser cantora e, por volta de 1953, se inscreveu no programa de rádio Calouros em Desfile, apresentado por Ary Barroso.

Soares apresentou "Lama", de Paulo Marques e Aylce Chaves, e garantiu nota máxima. Em seguida, fez a primeira apresentação ao vivo no auditório da Rádio Tupi. Barroso anunciou que ali acabava de nascer uma estrela. Com o dinheiro que ganhou das performances, Soares comprou remédios para o filho que estava doente e, apesar das dificuldades, persistiu no sonho de ser uma grande artista.

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Na década de 1960, começou a trabalhar somente com música. A canção "Se Acaso Você Chegasse," de Lupicínio Rodrigues, foi uma das maiores responsáveis por alavancar a carreira de Soares. Na mesma época, realizou turnês por países como Argentina, Estados Unidos e México e chegou a se mudar para Itália com a família para fugir dos ataques que sofreu durante a ditadura. Cantora aproveitou para realizar shows na Europa, mas logo retornou ao Brasil.

Nos anos seguintes, passou por dificuldades na carreira e em casa, pois tinha uma relação complicada com o marido, o jogador de futebol Garrincha. No entanto, não deixou se abalar e continuou a trabalhar com música e, nos anos 2000, recebeu o prêmioMelhor Cantora do Milênio pela BBC em Londres.

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Também foi indicada ao Grammy com o disco Do Cóccix até o Pescoço (2002), o qual tinha parcerias com nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Jorge Ben Jor. A trajetória da artista virou filme intitulado My Name is Now, Elza Soares (2008), dirigido pela jornalista Elizabete Martins Campos, e que foi sucesso em diversos festivais de cinema.

Após quase seis décadas de carreira, Soares lançou o disco A Mulher do Fim do Mundo (2015), primeiro somente com músicas inéditas da cantora. O álbum venceu o Grammy Latino e foi considerado um dos melhores do ano pelo The New York Times. Para promovê-lo, retornou aos Estados Unidos, apresentando-se no Central Park, em Nova York.

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Soares continuou ativa até os últimos anos de vida. Em 2018, lançou o disco Deus É Mulher e no ano seguinte, Planeta Fome. Em 2020, foi homenageada pela Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, do Rio de Janeiro, e até mesmo desfilou no sambódromo. Cantora deixa 36 discos, seis coletâneas e um legado inesquecível na música brasileira.