Elza Soares e Agnes Nunes marcam cronologia das grandes cantoras negras do Brasil na série Abre Alas

Agnes Nunes ilustra a capa da Rolling Stone Brasil em janeiro - no mesmo dia da morte de Elza Soares; as duas marcam a cronologia das cantoras negras do Brasil

Yolanda Reis | @_ysreis Publicado em 20/01/2022, às 19h46

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Agnes Nunes e Elza Soares cantam "Meu Guri", cover de Chico Buarque, para Abre Alas, serie do YouTube, em 2021 (Foto: Lilo Oliveira /Divulgação YouTube)

Agnes Nunes é a capa da Rolling Stone Brasil deste mês, ao lado de Xamã. Na matéria, comentamos como, no ensaio de foto, ela mostrou um retrato da música feminina brasileira ao ouvir de Luísa Sonza a Elsa Soares, sobre quem transbordou paixão musical.

Poucas horas após a publicação, a notícia da morte da sambista, cantora do Milênio, chegou. O dia marcou a cronologia da história das cantoras negras brasileiras - a chegada de Agnes, com 19, e a despedida de Elza, com 91.

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Agnes mostrou a reverência dela à veterana da "guerra musical" durante a entrevista - e comentou sobre Abre Alas, projeto do YouTube sobre as grandes cantores negras da música brasileira. Nele, Nunes recebeu alguns dos maiores nomes - Sandra Sá, Preta Gil, Liniker, Tássia Reis, Margareth Menezes - Elza Soares abriu e encerrará a série. 

As duas lançaram, como abertura do projeto, um cover de "Meu Guri" (1981), do Chico Buarque. A música era querida por Elza - Trajetória, disco de 1997 que quebrou uma década de "jejum" musical da sambista, trouxe uma versão. 24 anos depois, ao lado de Agnes - quem nem de longe nascera nessas outras datas - regravou para o projeto Abre Alas:

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Último episódio com Elza Soares

Além de um vídeo para performance de "Meu Guri", Elza Soares encerrará a série Abre Alas na próxima quinta, 27. O projeto procurou apresentar "uma reflexão sobre o passado e o presente das mulheres negras na música produzida no Brasil."

“Me sinto honrada em poder apresentar essa série [...] sobre histórias de mulheres tão admiráveis, que me inspiram desde sempre, na música e na vida. Hoje, me espelho nessas e em tantas outras para trazer a minha música com amor e verdade, para daqui muitos anos continuar sendo ouvida e entendida, assim como Elza, Sandra, Margareth e tantas lindas vozes pretas”, disse Agnes.

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