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Música / NOVIDADE

Hungria se baseia no passado para dar passo em direção ao futuro com 'Lobo-Guará' [ENTREVISTA]

Artista brasiliense retoma a sonoridade do início da carreira no lançamento de ‘Lobo-Guará’ e pretende focar em singles nesse momento da carreira

Hungria (Foto: @alefsantz)
Hungria (Foto: @alefsantz)

Um dos nomes mais populares da cena do trap nacional, Hungria trouxe nesta sexta, 8, uma novidade com sabor de nostalgia: “Lobo-Guará” é o nome do novo single do artista, que bebe na fonte do que fazia no começo da carreira, com uma roupagem atualizada e mais experiência. 

Em conversa com a Rolling Stone Brasil, o artista conta que a ideia do single vem quase que de maneira natural. “Eu sempre surfei no caminho que a música me levou, em toda onda que ela me levou,” diz o artista. “Então, na verdade, não foi que eu dei um tempo naquela musicalidade do Hungria de 2018, ou 2016.”

Eu surfei outra onda e fiquei completamente amarradão nessa onda acústica. E nunca vou esquecer todo esse trabalho que foi feito e também não vou deixar de fazer. Mas, quando estamos surfando numa onda, sentimos falta de botar o pé no chão e dar uma passeada na areia da praia. E, agora, eu vou botar o pé na minha raiz de novo.

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Se antes Hungria se deixou levar pela correnteza, agora ele assume os remos em direção a um dos passos mais acertados da carreira. “Lobo-Guará” já é sucesso antes mesmo de ser oficialmente lançada. Ela foi apresentada ao público pela primeira vez há dois anos, durante a participação do rapper no PodPah, apresentado por Igor Cavalari (Igão) e Thiago Marques (Mítico).

Desde então, ele recebe diversos pedidos para que a faixa seja liberada. A hora chegou — e não deve parar por aí, o cantor revelou como tem outras músicas gravadas “no estilo Hungria de ser.”

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Mostrar a prévia da canção no programa foi um bom termômetro para entender o impacto que ela vai ter na carreira do artista de hoje em diante. Aliás, o efeito já era sentido por ele há algum tempo, tendo em vista a quantidade de pedidos dos fãs pela versão completa. Ver que o público tem saudade de características musicais do passado foi bom para o rapper, que pode ver que quem estava com ele desde o princípio não o esqueceu.

A retomada a um lugar que o compositor já esteve não significa, no entanto, uma zona de conforto. Ele classifica o movimento como desafiador “porque não é uma parada que o Hungria sabe fazer, porque a música evolui diariamente. Então preciso chegar com uma versão atualizada,” explica. Por isso a canção pode até lembrar algo que já ouvimos, mas definitivamente é um passo adiante em uma trilha já começada. 

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Como toda chegada em grande estilo, “Lobo-Guará” conta com um clipe elaborado dirigido por Fred Siqueira. No filme, o artista é estudado em laboratório por três cientistas — interpretados por parceiros de longa data de Hungria, os produtores Caio Passos, Neguim Pacificadores e Nine.

Ele revela que, apesar de gostar de fazer os clipes, é muito mais cansativo que estar em estúdio gravando músicas. “Eu sou um moleque muito intenso, então estar no clipe, às vezes parado, é um desafio para mim. Mas, ver o trabalho todo pronto compensa o preço que pagamos.”

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Outro desafio é entregar visuais que estejam a altura das canções do artista. Para isso o artista conta com roteiros bem elaborados e produções cuidadosas. O clipe em questão é só o começo do que está por vir, alerta Hungria. Ele relata que A preocupação estética é algo que ele traz consigo desde os primeiros passos na carreira musical. 

Eu não via exatamente dessa maneira como tudo é hoje, mas eu tinha a total noção de que seria algo muito grande. Meu ponto de referência era outro, eu era um moleque de quebrada. Então, fazer um clipe com a facilidade que a gente faz hoje era muito distante. 

O que também é uma marca na carreira de Hungria são as colaborações. O cantor já gravou com nomes de peso, como Maestro João Carlos Martins, Claudia Leitte e Marcelo Falcão. Quando questionado sobre qual seria a colaboração dos sonhos, respondeu sem pensar duas vezes: Zé Ramalho. Segundo o artista, a musicalidade e a maneira como o paraibano escreve, descrita como “genial,” o fazem ser fã do cantor. 

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Hungria também é muito aberto a explorar sonoridades distintas, uma ideia originada ainda no período de adolescência. “Comecei muito cedo, mas aos 15 eu entendi que a música é livre, é uma maneira de expressão que a gente pode fazer. Se minha voz alcançar certo tom, posso cantar em qualquer gênero, sacou?” Essa liberdade ajuda o artista a fazer conexões interessantes e sem medo de arriscar. 

Um dos grandes nomes do rap, Hungria sente a responsabilidade do título. Ele considera que é preciso estar sempre atento às mensagens que transmite. Levar coisas boas para os fãs é uma das prioridades dele, especialmente por ter admiradores das mais diversas idades. 

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O álbum mais recente do artista, Atmosfera, aconteceu ainda em 2023. Para Hungria, ainda é cedo para pensar em algo novo porque a cabeça dele está nos singles: “Quero trabalhar faixa por faixa e mais para frente, quem sabe, um novo álbum.” “Lobo-Guará” pode até parecer uma volta ao passado, mas é uma maneira de reverenciar a própria história, ao passo que olha para frente em busca de outros mares. O cantor, que já usa a faixa na abertura dos shows, está animado para integrá-la de vez ao setlist — e nós também.

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