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Jão entrega expectativas para o próximo disco: "Quero tudo mais gigante"

Com a turnê Pirata próxima ao fim, cantor diz que 'esqueleto' do próximo disco mudou bastante, mas já tem 'boa noção' do que vem pela frente

Eduardo do Valle (@duduvalle) Publicado em 16/09/2022, às 12h26

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Jão (foto: Gabriela Schmidt)
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
No dia seguinte ao ensaio para a capa digital da Rolling Stone Brasil, o Instagram de Jão anunciava as últimas datas da turnê Pirata. São os últimos capítulos de uma história que começa em fevereiro de 2021, quando um sumiço repentino foi seguido da reaparição do cantor com cabelo raspado para lançamento de "Coringa", primeira faixa do que viria a se tornar seu maior disco, até então. Na ocasião, ele não poderia antecipar o sucesso que viria nos meses seguintes - mas no horizonte, já entendia o que gostaria de entregar para o quarto álbum.
"Quando eu entreguei o disco, eu já tinha um esqueleto muito formado, que mudou completamente desde que lancei o Pirata para agora. Mas eu já tinha uma boa noção de como seria meu próximo álbum. Então eu preciso de tempo realmente, para sentar a bunda no estúdio e colocar para fora", conta Jão.
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Sem entregar detalhes, Jão conta que Pirata representou uma transição do que vinha fazendo até então: "talvez meus dois primeiros discos tenham sido um pouco mais parecidos entre si". E, se o terceiro álbum foi seu trabalho "mais solto" ou "mais extrovertido" até aqui, o que ele quer é "botar esteroides" no que fez com ele: "Quero que tudo seja muito mais gigante".
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
A favor do gigantismo, Jão conta agora com o sucesso financeiro de sua produtora, a U.F.O, que, segundo a Forbes, chegou a um faturamento anual de R$ 36 milhões - em maio de 2022. E, com Pirata marcada pela produção detalhista, que fez chover no palco, e pela cenografia dramática, o céu deve ser o limite da próxima turnê:
"Para meu próximo show, todas as coisas que eu quero, nós vamos conseguir colocar. Então [o dinheiro] deixa o mundo muito mais legal de explorar, com certeza. Fora a parte legal, poder explorar criativamente, saber que tenho muito mais opções. É muito mais legal ter várias cores, coisas, tamanhos e possibilidades - sobe fogo, faz chover, essas coisas", conta Jão, para quem a ambição financeira fica restrita à turnê. Pessoalmente, ele garante que não gasta com "absolutamente nada":
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"Ainda não parei na minha casa, em um dia para só para refletir, "ah, o que eu gostaria de fazer aqui?" Eu pago as minhas contas e tenho sonhos de coisas que eu quero comprar e conquistar. Faço meus investimentos aqui e ali, e é basicamente isso. Eu não gasto absolutamente nada."
Com o ponto final de Pirata programado para meados de novembro, Jão já antecipa o que devem ser as merecidas férias de uma turnê com 39 datas (a maioria delas esgotadas). 
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
"É muito bizarro, quando você percebe que você não tá processando onde você tá indo sabe. É uma coisa pessoal, mas muito profissional também. Acho que a gente tem que aprender a ficar ausente", reflete. Ainda assim, antecipa que é no intervalo que devem vir as resoluções finais de seu J4, o quarto disco e a próxima turnê. E também o "ritual de passagem" para a nova era: 
"Ainda não sei qual vai ser dessa vez, se eu vou tatuar o corpo inteiro, se eu vou, sei lá, pintar o cabelo. Mas eu gosto muito dessas coisas, sabe? Sempre gosto de me movimentar, fico pouco estressado quando as coisas ficam paradas. Então eu gosto desse ritual. Acho que ele me instiga a fazer uma coisa diferente também." 
Abaixo, Jão fala sobre o encerramento de Pirata e sobre o próximo trabalho:
Rolling Stone Brasil: Jão, a turnê tá se encaminhando para o fim...
Jão: Quase na reta final.
Rolling Stone Brasil: ...e eu queria saber o que a gente tem para depois. Vêm umas férias aí?
Jão: Com certeza! Eu gosto muito desse tempo. Acho que é uma coisa que eu já coloquei na minha vida com uma meta pessoal de sempre ter tempo. Porque é muito bizarro, quando você percebe que você não tá processando onde você tá indo sabe. É uma coisa pessoal, mas muito profissional também. Acho que a gente tem que aprender a ficar ausente. A pensar 'tá o que eu quero fazer?' Fazer com calma, fazer bem feito, fazer nos meus termos. Acho que os artistas lá de fora têm um pouco mais essa mentalidade, sabe, de dizer 'Ok, fiz meu trabalho aqui, agora preciso respirar. Deixa as pessoas sentirem um pouco de saudade de mim. Vou fazer meu trabalho aqui e volto". E isso é saudável! É bom, sabe? E eu acho que as pessoas no Brasil têm muito medo de de se ausentar. Mas eu acho muito saudável, então, eu quero muito. E planejar próximo disso, próxima turnê, próximas coisas todas. 
Rolling Stone Brasil: Quando Pirata começou, você raspou o cabelo para dar início uma nova era. Você vai fazer algum ritual de passagem dessa vez? 
Jão: Ah, eu sempre faço [risos]. Eu ainda não sei qual vai ser dessa vez, se eu vou tatuar o corpo inteiro, se eu vou, sei lá, pintar o cabelo. Mas eu gosto muito dessas coisas, sabe? Eu sempre gosto de movimentar as coisas, fico pouco estressado quando as coisas ficam paradas. Então eu gosto desse ritual. Acho que ele me instiga a fazer uma coisa diferente também. 
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
Rolling Stone Brasil: Você falou que você vai parar para pensar no próximo trabalho, mas você já não tá pensando nele, não? 
Jão: Eu acho que eu vou parar para começar a executar. Para poder me dedicar a ele. Quando eu entreguei Pirata, eu já tinha um esqueleto muito formado, que mudou completamente desde que lancei o Pirata para agora. Mas eu já tinha uma boa noção de como seria meu próximo disco. Então eu preciso de tempo realmente, para sentar a bunda no estúdio e colocar para fora. 
Rolling Stone Brasil: Com Pirata você chegou com essa com essa persona mais extrovertida. Queria saber para onde é que o vento tá apontando. Sei que você não pode abrir muita coisa ainda, mas onde é que o barco de Pirata vai parar?
Jão: Ah, eu quero evoluir. Acho que todos os meus discos foram, talvez os dois primeiros um pouco mais, parecidos entre si. Mas sinto que que o Pirata fez um elo de transição para mim assim sabe? Eu sempre soube que ele seria. E todo o aspecto aquático dele eu acredito muito nisso. Foi uma passagem para mim. Então acho que eu tenho um leque de coisas que eu gostaria de explorar de som. E eu quero explorar isso, só preciso entender se é agora, ou se é no quinto, ou no sexto. Não respondi nada, né? [risos] Acho que quero uma evolução assim, quero botar esteroides na turnê Pirata. Quero que tudo seja muito mais gigante.
Rolling Stone Brasil: Para além do sucesso entre os fãs, Pirata também foi um avanço financeiro para você [a Forbes avaliou o faturamento da U.F.O, produtora do cantor, em R$ 36 milhões anuais, em maio de 2022]. O que isso muda para você, criativamente?
Jão: Criativamente, acho que mudam as possibilidades do que a gente consegue alcançar. Eu sei que meu próximo show, todas as coisas que eu quero, nós vamos conseguir colocar. Então deixa o mundo muito mais legal de explorar, com certeza. Fora a parte legal do dinheiro, poder explorar criativamente, saber que tenho muito mais opções. É muito mais legal ter várias cores, coisas, tamanhos e possibilidades - sobe fogo, faz chover, essas coisas.
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
Jão (foto: Gabriela Schmidt)
Rolling Stone Brasil:E pessoalmente, deu pra aproveitar? O que você comprou?
Jão: Eu não compro absolutamente nada. 
Rolling Stone Brasil: Não compra, Jão?
Jão: Não. Eu ainda não parei na minha casa, em um dia para só para refletir, "ah, o que eu gostaria de fazer aqui?" Eu pago as minhas contas e tenho sonhos de coisas que eu quero comprar e conquistar. Faço meus investimentos aqui e ali, e é basicamente isso. Eu não gasto absolutamente nada.
Rolling Stone Brasil: Ok, devo dizer que é inesperado...?!
Jão: [risos] Mentira, eu gasto com comida! Essa é uma história minha e da minha irmã. Quando a gente passava em loja de brinquedo, não ligava para nada. Nada daquilo a gente queria. Nosso rolê era ir em supermercado. A gente ficava assim alucinado. Alucinado em tudo, tudo: pão, doce, bala. A gente gostava realmente de comer. Obviamente nunca passei fome, mas a gente tinha uma infância muito simples, assim. Não tinha dinheiro para ir lá comprar esse tipo de coisa. Eu lembro muito uma situação de que a gente foi com meu pai num supermercado e ele emprestou um dinheiro do meu tio para a gente fazer a compra do mês - isso é uma coisa muito estranha hoje em dia, né, fazer a compra do mês todo? Mas aí a gente foi. E aí ele falou que ia comprar, sei lá, esse iogurte para gente. Quando passamos no caixa, ele deu o dinheiro a mais e a gente teve que deixar o iogurte. Eu fiquei muito triste, era criança, não sabia que lidar com essa situação. Acho que foi uma das cenas mais impactantes, minha com meu pai, na minha infância. Lembro que ele ficou muito desolado e hoje adulto eu fico imaginando o que deve ser para um pai, quando o filho quer comer um negócio diferente e tal, e ele fala putz, não posso fazer isso. Então acho que eu incurti isso na minha cabeça. Tipo, sempre quando tiver vontade de comer alguma coisa, quando eu tiver dinheiro, eu vou comer. É bizarro, eu gosto muito de comer.
Rolling Stone Brasil: Depois de atingir esse nível de gigantismo, esse new high, você não tem medo? Não tem receio de ir em frente?
Jão: Ah, eu eu sou bem pé no chão assim. Ao mesmo tempo que eu não fico deslumbrado com nada - eu sou meio frio, acho, para esse tipo de coisa -, também sou meio pessimista, sabe? Eu nunca espero o melhor. Acho que eu só aprendi a fazer as coisas que eu gosto e não esperar nada, além de estar muito satisfeito. Óbvio que existe uma missão gigante, mas acho que sou muito pé no chão com essas coisas e eu sei que Pirata foi só um passo. Tenho muita confiança no trabalho que a gente faz. Então, eu tento deixar meu medo bem quietinho. Obviamente antes de lançar eu vou ter um surto psicótico, como sempre acontece. Eu tenho um período em que dou uma surtada boa, eu desapareço, ninguém sabe o que tá acontecendo comigo, e aí eu vou falar: "aqui, entendi, vamos lá". Eu me respeito muito, nesse sentido.