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Música / Rock

O pequeno problema das músicas dos Beatles, segundo produtor do U2

Steve Lillywhite aponta que esse detalhe tem feito alguns fãs questionarem o título de “maior banda” que muitos atribuem ao grupo de Liverpool

Beatles (Foto: Getty Images)
Beatles (Foto: Getty Images)

São variados os números e dados que apontam os Beatles como a maior banda de todos os tempos. Porém, esse título começou a ser questionado por uma base de fãs que enxerga o Queen como real merecedor do posto.

O principal ponto de vista que leva a essa conclusão foi exposto pelo produtor Steve Lillywhite em entrevista ao Produce Like a Pro (via site Igor Miranda). Conhecido por ter trabalhado com U2, Rolling Stones, Dave Matthews Band e diversos outros artistas de destaque, Lillywhite apontou que o Fab Four de Liverpool “nunca fez músicas para estádios”, o que seria talvez o pequeno problema de sua lendária obra.

“Quando falam sobre as maiores bandas de todos os tempos, sempre citam os Beatles. Mas agora há o argumento de que os Beatles nunca fizeram músicas para estádios. Os Beatles nunca fizeram nada que pudesse tocar em um grande evento esportivo.”

Uma opinião controversa, diga-se de passagem. Primeiro, porque trechos de canções como “Hey Jude” e “All You Need is Love” já foram entoadas por torcidas de futebol na Inglaterra. Segundo, devido ao fato de que no período em que os Beatles existiram, música não era algo associado a eventos esportivos ou a grandes estádios e arenas.

Ainda assim, Steve destaca cautelosamente que há uma parte do público com esse tipo de pensamento. Ele foi além ao citar que, na visão dessas pessoas, o Queen mereceria o título de “maior banda” por ter construído canções que atendem a esse critério.

“Eu nunca diria que alguém é maior do que os Beatles. Mas há um argumento agora de que o Queen, por causa de sua capacidade de transcender estádios, é mais relevante hoje do que os Beatles.”

Beatles, Queen e Brian May

Talvez essa ideia seja rejeitada pelos próprios integrantes do Queen. O guitarrista Brian May, por exemplo, já declarou sua paixão ao Fab Four de Liverpool em diversas ocasiões.

No ano de 2019, por exemplo, ele escreveu uma carta chamada “Por que amo John Lennon” para a revista Classic Rock. Na mensagem, ele relembrou momentos da infância associados aos Beatles, definido por ele como “o grupo de rock perfeito para inspirar todos os outros e reescrever o quadro não apenas da música popular, mas de toda a cultura dos jovens”.

“Eu não tinha permissão para assistir aos shows dos Beatles quando criança. Meus pais acreditavam que os shows pop eram frequentados pelo grupo errado de pessoas. Então, eu nunca consegui ver o maior fenômeno do século 20 ao vivo. No entanto, a partir do momento que ouvi a música ‘Love Me Do’ no rádio, eu sabia que os caras eram mágicos. Eles deram voz à minha alegria e angústia escondidas quando era adolescente e estava sofrendo para entrar no mundo dos anos 1960.”

Já no último mês de julho, May respondeu ao jornal The Guardian qual banda ele gostaria de ter feito parte se o Queen não existisse. “Os Beatles, provavelmente”, declarou. “Tenho certeza de que não teria sido fácil ser um Beatle, mas com esse incrível nível de criatividade, eu me identificaria. Assisti muito ao documentário Get Back. Fiquei um pouco triste assistindo à primeira parte, porque me lembrou de nós – às vezes o Queen no estúdio dizia [simulando voz nervosa]: as coisas não estão se encaixando’. Senti que eles estavam em um lugar bastante doloroso. Porém, na segunda parte, senti que eles estavam realmente se encontrando novamente. É um livro didático de como estar em um estúdio. Se não fossem os Beatles, poderia ter sido o Led Zeppelin. Se eles me deixassem entrar.”