Radiohead: como banda evitou arrogância ao compor disco Kid A? [FLASHBACK]

Para guitarrista do Radiohead, Jonny Greenwood, discos não devem tomar três horas do público - inspiração nos Beatles ajudou a resolver o problema em Kid A

Dimitrius Vlahos (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 21/09/2021, às 14h31

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Radiohead (Foto: Jim Dyson / Getty Images)

Radiohead anunciou um disco triplo em celebração ao aniversário de duas décadas do Amnesiac (2001) e 21 anos do Kid A (2000). Além de contar com as versões originais na íntegra, a compilação Kid A Mnesia traz “um memorial com gravações um pouco lembradas, um pouco esquecidas e canções inéditas,” segundo publicação da banda no Twitter

O lançamento dos discos no começo dos anos 2000 envolveu grandes expectativas e uma trajetória incomum. Após OK Computer (1997), Radiohead não tinha planos muito claros, conforme o guitarrista, Jonny Greenwood, relatou ao KCRW (via Ultimate Classic Rock): “Somos ruins em fazer declarações sobre nossos próximos passos e o que mudará.” 

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Kid A (2000) e Amnesiac (2001) foram gravados na mesma sessão. Na época, os integrantes do Radiohead elencaram as maiores dificuldades do processo criativo. Escrever, arranjar e gravar nunca foram empecilhos, explicou o baixista, Colin Greenwood:

“Não há problema em fazer música, trabalhar com computadores e tocar guitarra, mas pensar sobre editar, compilar e apresentar é um grande problema.” Assim, desenhavam-se os obstáculos para montar a tracklist perfeita.

Quanto à sonoridade, o grupo seguiu um caminho distinto dos primeiros discos, com mais experimentação, sons ambientes e eletrônicos - surpresa para fãs apegados a faixas como “Paranoid Android” e “Karma Police” do antecessor OK Computer (1997).

Para Thom Yorke, vocalista, “não havia busca por progresso.” A banda não tinha “conexão com os trabalhos feitos antes. Estava mais para algo fragmentado - uma paisagem.” 

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Apesar da fragmentação, as sessões foram produtivas e resultaram em mais faixas do que esperado. Incluir todas as músicas em um disco duplo funcionaria, mas Jonny encarou a ideia como arrogância. “Algumas bandas acreditam ter canções valiosas o suficiente para duas ou três horas, mas não é verdade. É arrogante da parte deles.” 

O quinteto teve dificuldades para compilar e escolher a ordem certa. Embora a composição das músicas seja fluída - muitas vezes Yorke criava a base e os outros integrantes escreviam as linhas dos próprios instrumentos - não dava para dividir o trabalho na seleção das faixas.

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Isso deixava a banda preocupada, exceto pelo vocalista. Estava fascinado com os caminhos diferentes, e feliz com essa "brilhante" variedade de ideias construídas pelo Radiohead, conforme explicou ao Select.

A seleção final não envolveria, necessariamente, as melhores faixas, mas as mais condizentes às pretensões de Kid A (2000). Os Beatles serviram de inspiração para Yorke trilhar caminhos ousados na compilação do quarto disco, explorando o potencial das músicas certas nos lugares certos. “Foi incrível quando começaram a colocar tudo em ordem, como no White Album (1968). Como podem incluir três versões diferentes de ‘Revolution’ e se safar?”

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Radiohead chegou, então, à tracklist final de Kid A (2000) e aproveitou as faixas descartadas no Amnesiac (2001) - disco com conceito diferente, mas sonoridade similar. Tiveram boa recepção da crítica, com nota 80 para o Kid A e 75 para Amnesiac nos reviews do Metacritic.

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As músicas vazaram no Napster, porém, a banda não se preocupou. Souberam aproveitar, sem lutar contra algo inevitável e até mesmo favorável, pois aumentava a popularidade do grupo: "O público sabia cantar todas as letras das músicas novas, foi maravilhoso," Colin relatou à BBC.   

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O lançamento de Kid A Mnesia está previsto para 5 de novembro de 2021. Além do disco triplo, uma experiência interativa com as músicas e artes do encarte será lançada para Playstation 5 no mesmo mês.

 
 
 
 
 
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